Em reunião realizada por videoconferência na última segunda-feira (13), o Conselho Gestor apresentou o panorama do Cruzeiro para os candidatos da eleição do Clube que vai ocorrer em maio. O objetivo da reunião era o de deixar transparente a real situação do Cruzeiro. Nessa terça-feira (14), no portal da transparência, foi disponibilizada a apresentação feita aos candidatos.
Da Sede Administrativa participaram somente o diretor executivo André Argolo e o superintendente Jurídico Kris Bretas. E estiveram online os gestores Saulo Fróes, Gustavo Gatti, Carlos Rocha e Jarbas Reis. Os candidatos ao pleito presentes foram Sérgio Santos Rodrigues, Giovanni Baroni, Ronaldo Granata, Paulo Sifuentes, Luiz Carlos Rodrigues e Paulo Pedrosa.
André Argolo e o superintendente Jurídico Kris Bretas fizeram a apresentação na Sede Administrativa (Divulgação/Cruzeiro)
O Cruzeiro vem sendo administrado desde o dia 23 de dezembro pelo Conselho Gestor. Após o rebaixamento e renúncia da antiga diretoria, comandada por Wagner Pires de Sá e Itair Machado, os novos dirigentes tiveram os desafios de iniciar uma nova temporada sem recursos para contratações e com várias baixas.
Sobre essa forma de apresentar a situação do Clube, o gestor Saulo Fróes explicou: ““Apresentamos para todos os potenciais candidatos, um raio-x da situação atual do Clube, sobre a parte administrativa, operacional e financeira. Esta apresentação tem o objetivo de oferecer a todos um conhecimento prévio do que acontece no Cruzeiro, para que possam, quando entrarem, fazerem sua programação de gestão.”
Dificuldades para o início da temporada
Para o início da temporada, o Conselho Gestor teve vários problemas, desde problemas com o número de atletas, salários atrasados e processos na Justiça do Trabalho.
O time tinha 35 atletas que terminaram a temporada com vínculos com o Clube. Desses, 17 atletas deixaram a equipe. Vale dizer que o Cruzeiro devia salários desde setembro para todos os jogadores do elenco e a folha salarial era de R$ 16 milhões por mês. Atualmente, a folha está em R$ 3 milhões mensais.
Desse modo, alguns atletas acionaram à Justiça do Trabalho. Entre eles, David, Éderson, Fabrício Bruno, Rafael, Thiago Neves e Fred que acionaram o Clube na Justiça. Com exceção de Rafael, esses atletas participaram diretamente da pior campanha da história do Cruzeiro no Brasileirão. Lembrando que o time venceu apenas sete partidas em 38 e terminou com 36 pontos ganhos em 17º.
Rebaixamento do Cruzeiro foi decretado na última rodada do Brasileirão após derrota para o Palmeiras (Felipe Correia/Photo Premium/Folhapress)
Assim, o time não tinha jogadores para iniciar uma nova temporada. Foi preciso subir 16 jogadores da categoria de base e renegociar com os atletas que aceitaram ficar no Cruzeiro. No caso dos mais experientes como Fábio, Edílson, Léo, Robinho e Ariel Cabral, eles permaneceram com um piso salarial de R$ 150 mil.
Alguns contratações como a de João Lucas vieram a pedido de Adílson Batista, que foi demitido após a derrota para o Coimbra no Independência pelo Campeonato Mineiro por 1 a 0. Agora, o atual treinador é Enderson Moreira e o diretor de base é Ricardo Drubscky. Ambos já trabalharam no Cruzeiro e foram campeões da Copa São Paulo em 2007. Para a direção do time sub-20, Rogério Micale, campeão olímpico em 2016 com o Brasil, foi contratado.
Agora, com o futebol parado por conta da pandemia de covid-19, é tempo para o Cruzeiro “arrumar a casa” e assim que for possível, retornar a temporada da melhor forma possível.
Mineirão
O Conselho também falou da situação com a Minas Arena, consórcio que administra o Mineirão. De acordo com o Conselho, a cobrança judicial está em R$ 46 milhões. No entanto, há uma negociação apalavrada no valor de R$ 19,3 milhões, em que seria descontados R$ 10 milhões que estão depositados em juízo. O restante seria pago em 10 anos, com carência de dois anos.
Cruzeiro foi o time que mais jogou no Mineirão depois da reinauguração em 2013 (Reprodução/Globo Esporte)
Redução das despesas e FIFA
O Conselho Gestor demitiu 110 funcionários e prestadores de serviços do Clube. Isso gerou uma economia de R$ 25 milhões por ano. Para se ter uma ideia do quanto isso significa, o salário do time de futebol profissional masculino será de cerca de R$ 36 milhões em 2020. Outra ação para diminuir a despesa foi a desativação de dois andares da Sede Administrativa do Barro Preto, cancelamento dos cartões corporativos do presidente e diretores e a renegociação com credores e fornecedores.
Com relação às dívidas na Federação Internacional de Futebol (FIFA), o valor está em R$ 81,4 milhões, sendo R$ 80,3 para serem pagos ainda em 2020. Neste primeiro semestre, o Clube tem de pagar R$ 36,6 milhões.
Sócios e financeiro
O Clube tem hoje mais de 54 mil sócios ativos. O maior número está concentrado na modalidade do Sócio Reconstrução, lançado no início do ano, são mais de 42 mil somente por essa modalidade.
O Clube também conseguiu a entrada de novos parceiros e patrocinadores, reviu o contrato com a Adidas e criou um setor de relacionamento com o torcedor.
Sobre o financeiro, um fato muito comemorado foi o retorno ao Programa de Modernização da Gestão e Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (ProFut), o que reduziu a dívida com impostos. Além disso, cancelamento das linhas telefônicas da diretoria e economia nos planos de saúde.
No entanto, o Clube deverá ter um déficit de R$ 143 milhões de acordo com o Conselho.
Confira a íntegra da apresentação feita pelo Conselho Gestor clicando aqui.