Há pouco mais de um mês, o executivo Jorge Braga foi selecionado para o cargo de CEO do Botafogo, algo inovador dentro do clube. Depois destes 30 dias iniciais de trabalho, o empresário lançou hoje uma carta aberta aos torcedores e ao mercado financeiro, detalhando a situação do clube.
Braga lista diversas medidas que foram tomados após um diagnóstico inicial dos problemas que correm as finanças do clube:
“Em Governança:
a) Fizemos uma força-tarefa para cumprir o prazo das demonstrações financeiras, garantindo a transparência e qualidade dos números que lá estão;
b) Alteramos o Código de Ética de todos os funcionários incluindo gestão de informações confidenciais, conflitos de interesse, partes relacionadas, etc.;
c) Revisitamos e redesenhamos todos os processos de negócio exigindo contrapartidas mínimas de performance e adimplência para licenciamento e patrocínio;
d) Instituímos a exigência de concorrência (RFP) para atração e seleção de parcerias
e) Criamos novos controles de gestão de ativos imobilizados;
f) Mudamos toda a parte administrativa para uma única grande sala de reunião no estádio Nilton Santos, colocando todos os gestores juntos, quebrando silos e paredes, melhorando a comunicação e o tempo de decisão e liberando espaço nobre na sede;
g) Iniciamos um mapeamento do real perfil da dívida, incluindo ônus reais sobre imóveis e contencioso jurídico.”
O executivo também detalhe um ponto interessante ao torcedor: a chegada de reforços de peso, com salários mais arrojados, visando o G4 da Série B. Confira: “Precisamos selecionar, atrair e contratar alguns reforços com a máxima assertividade. E para tanto faremos um sacrifício financeiro desproporcional à realidade do clube, mas fundamental para termos chance de subir.”
Por fim, Braga também fala da Botafogo S/A: “Por último, quero falar do projeto da S/A ou qualquer outro modelo que permita captar recursos para enfrentarmos esta dívida bilionária. Para funcionar, ele precisa ter quatro pilares fundamentais que não podem ser descuidados: Credibilidade de quem o conduz; Segurança jurídica e financeira para ambos investidores e Clube; Destinação específica e clara de recursos para o futebol (profissional e base) e retorno atraente para investidores profissionais e individuais. Não atender de forma eficaz a qualquer destes requisitos é por em risco a única chance do BFR de sair deste ciclo vicioso em que se encontra.”
O assunto da S/A voltou a circular nos bastidores do clube hoje. Após a informação do jornalista Wellington Arruda de que há mais de 40 dias o processo de transformação do Botafogo em clube empresa está parado na mesa de Durcésio Mello, o presidente informou ao FogãoNET que, até sexta-feira, irá enviar um documento ao Conselho Deliberativo do clube para dar prosseguimento ao processo.