Ex-jogador do Milan é encontrado morto e deixa uma carta: “Sinto o peso dos olhares enojados”

Recentemente, um jovem jogador da base do Milan foi encontrado morto em sua residência e deixou uma carta falando sobre o racismo que sofria

Seid Visin, jovem de 20 anos que passou pelas categorias de base do Milan e que foi encontrado morto em casa, deixou uma carta de despedida, onde revela que era vítima de racismo. Visin, que nasceu na Etiópia, em 2000, e foi adotado por uma família em Nocera Inferiore, mas mudou-se para Milão, para integrar a base do Milan. Segundo a ‘Gazzetta dello Sport‘, foi companheiro de quarto do goleiro Gianluigi Donnarumma. Segundo informações e suspeitas, o caso seria um suicídio devido ao racismo sofrido pelo jogador.

Foi o Atletico Vitalica, clube atual do atleta, quem tornou pública a notícia.

O ‘Corriere della Sera’ revela o conteúdo da carta que o jovem deixou.

“Onde quer que vá, onde quer que esteja, sinto o peso dos olhares céticos, preconceituosos, enojados e amedrontados das pessoas. Não sou um imigrante, fui adotado em criança e lembro-me que toda a gente me amava. Onde quer que fosse todos falavam comigo com alegria, com respeito e curiosidade. Agora parece que tudo se virou de cabeça para baixo.”

“Consegui arranjar um emprego que tive de deixar porque demasiadas pessoas, principalmente os mais velhos, recusaram o meu serviço. Acusaram-me de ser responsável pelo facto de muitos jovens (e brancos) italianos não conseguirem arranjar emprego “, continuou.

“Algo mudou dentro de mim. É como se eu tivesse vergonha de ser negro, como se tivesse medo de ser considerado um imigrante. É como se eu tivesse que provar para quem não me conhecia que eu era igual a eles. Italiano e branco”, prosseguiu.

“Eu costumava fazer piadas de mau gosto sobre os negros para mostrar que sou como eles, mas era medo. Medo pelo ódio que vi nos olhos das pessoas ao olharem para os imigrantes. Não quero que as pessoas tenham pena de mim, só quero lembrar que a dureza e o sofrimento por que estou a passar são uma gota de água em comparação com o oceano de sofrimento vivido por aqueles que preferem morrer em vez de lidar com uma existência na miséria e no inferno. Essas pessoas arriscam suas vidas, algumas delas já a perderam, só para provar o que chamamos simplesmente de vida.”

• Foto: Milan/Twitter