Entrevista com o volante Victor Belisário, do CD Mairena, da Espanha

Victor Cardoso Belisário nasceu no dia 05 de junho de 1992 na cidade do Rio de Janeiro. Fostes revelado pelo Vasco da Gama e tem passagens por São Cristóvão e Americano-RJ. Atualmente está no CD Mairena (Espanha). Conhecido e reconhecido pela versatilidade e consciência dentro de campo

 

Gosta de alguns esportes além do futebol? Quais? R: Sim, NBA e MBL.

Time do coração: R: Flamengo.

Um hobby: R: Leitura.

Filme favorito: R: A procura da felicidade.

Gênero musical favorito: R: Hip-Hop.

Uma música: R: Noites traiçoeiras – Padre Marcelo Rossi.

Melhor jogo que já viu: R: Barcelona x Sevilla.

Uma qualidade sua: R: Determinação.

Um defeito seu: R: Ansiedade.

Maior orgulho: R: Ter conseguido ser um jogador profissional.

Tem algum arrependimento? R: Deixar minha vida profissional nas mãos de pessoas erradas.

Uma frase que te inspira: R: “Aprenda a calar a boca dos outros sem ter que abrir a sua”.

 

1- Tens sua base no Vasco da Gama e no Duque de Caxias. Quais foram os seus principais ensinamentos na época de jovem? A diferença entre a base de um grande e de um time mediano no Rio é muito latente? Por quais motivos deixastes a base cruzmaltina após quatro temporadas? Como acompanhastes o sucesso repentino e depois o declínio do Duque? Existe alguma fórmula para eles conseguirem retornar aos melhores momentos? Seria um sonho para ti jogar profissionalmente no Vasco?

R: Eu desde de muito pequeno fui ensinado a lutar e não desistir e é isso que me mantém até hoje. Acredito que sim, principalmente em termos de estrutura, é isso acaba fazendo a diferença dentro de campo. Na verdade eu até hoje não sei, passei por 8 anos dentro do clube, colhendo ensinamentos, experiências e títulos. Sempre tive um histórico positivo e com grandes possibilidades de seguir até o profissional. Mas depois de uma mudança de comando dentro do clube, começaram a acontecer coisas sem nexo e muitos jogadores promissores e de qualidade foram mandados embora sem nenhuma explicação cabível, infelizmente eu fui um desses. Quando eu cheguei no clube tinham alguns jogadores e dirigentes que migraram do Vasco para lá. Foi uma época um pouco complicada, mas sempre tentei tirar o melhor. Torço para que o time encontre novamente seu melhor caminho. A única forma é realizar um trabalho sério e honesto, com um bom investimento para que os jogadores se sintam bem e deem a cara pelo clube. Dessa forma, as chances de retornar ao cenário nacional são grandes. Claro, é um dos meus maiores sonhos, principalmente por ter vivido grande parte da minha vida ali dentro. Sei que é difícil, mas pra Deus nada é impossível!

 

2- Passou pelos times do São Gonçalo, São Cristóvão, Gonçalense e Americano. Primeiramente queria saber se existe alguma rivalidade forte entre os principais times de São Gonçalo? Sobre o São Cristóvão ainda paira o fato de Ronaldo Fenômeno ter partido de lá ou o fato da equipe estar longe do cenário nacional afeta mais no momento? Como analisas o atual momento do Americano no campeonato carioca? Como vês as suas passagens por estas equipes?

R: Sim, na época em que joguei existiam dois São Gonçalo (EC e o FC) e o bicho pegava. O que eu atuei, o São Gonçalo Esporte Clube hoje se encontra numa melhor situação. Quando se fala de São Cristóvão, todos associam a imagem do Ronaldo e pensam também que o clube se encontra numa situação legal, coisa que não é verdade. É claro que pesa, as coisas ali são complicadas, porém mesmo assim existem grandes e poucos profissionais ali que querem levar o clube ao topo. Fico muito feliz em ver o Americano na elite do Carioca, infelizmente na minha passagem perdemos o acesso no último jogo e justamente para o maior rival Goytacaz. Sempre tive certeza que eles iam retornar a primeira divisão, essa gestão tem pessoas competentes e que amam o clube de verdade, isso é um grande fator. Agora estão colhendo os frutos e é só o começo. Para mim foi de grande aprendizado, passei por muitas situações que me fizeram ser forte. Foram equipes pequenas, mas tive a oportunidade de trabalhar com grandes treinadores. De tudo, vejo como positivo.

 
Foto: CD Mairena (Espanha) – JL Baeza.
 

3- Nesta temporada chegou ao CD Mairena (atual na primeira divisão regional da Andaluzia). O objetivo é de ascender a tercera división (quarta divisão espanhola)? Como funciona o regulamento da competição, seria um formato diferenciado das ligas primárias? Como lhe chegou a proposta do clube? Existem muitos brasileiros tentando a sorte nessa divisão?

R: Sim, a ideia e o planejamento sempre foram esse. É um campeonato de pontos corridos em que se classificam os 4 times que mais pontuam e assim disputam um quadrangular final, subindo uma só equipe. A direção e o treinador do clube gostaram muito do meu material e sinalizaram positivamente para que eu pudesse vir do Brasil atuar pelo clube. Ainda não encontrei nenhum brasileiro jogando contra, na minha equipe tem um brasileiro que por sinal é um amigo e jogamos juntos no Vasco da Gama.

 

4- Tens atuações tanto como volante, quanto zagueiro. Como analisas essa versatilidade dos atletas atuais? Preferes jogar como primeiro, segundo volante ou como defensor central? Quais são os anseios que queres realizar durante a sua carreira profissional? O que já realizou e podes contar para nós?

R: Acredito que no futebol de hoje, o jogador que é versátil se sobressai. Procuro sempre trabalhar isso. Não tenho muita preferência, hoje dificilmente atuo como zagueiro, todavia precisando sei fazer. Me sinto confortável atuando tanto de primeiro quanto segundo, aqui na Espanha tenho atuado como número 8, marcando e chegando na frente. Estou gostando e aprendendo bastante. Eu hoje procuro viver uma coisa de cada vez, agora graças a Deus estou tendo a oportunidade de jogar e aprender no futebol europeu e meu desejo é crescer muito aqui na Europa jogando e ter uma estabilidade financeira no qual eu possa proporcionar o melhor pra mim e minha família.