Futebol feminino e sua realidade salarial
A Copa do mundo de futebol feminino está chegando e acontecerá de 7 de Junho à 7 de Julho. E eu, como uma amante nata do futebol, estou bastante empolgada com os jogos que acontecerão na França. E nos embalos dessa empolgação, me surgiu uma dúvida: Qual o salário desse meio?
Sabemos que o futebol feminino está em transformação pelo mundo a fora, passando por melhorias na infraestrutura, recebendo mais incentivo financeiro e apoio. Contudo, ainda há uma realidade nada motivadora, que persiste em não mudar e que pode ser o grande motivo para que cerca de 87% das jogadoras de futebol encerrem suas carreiras antes dos 25 anos: O salário delas!
Segundo uma pesquisa realizada pela Universidade de Manchester em parceria com o Sindicato Internacional de Atletas do Futebol (FIFPro), metade das atletas entrevistadas não são remuneradas e nem possuem contratos formais com os times por onde jogam. – Sim, metade das atletas profissionais, que disputam os principais campeonatos do mundo, fazem isso literalmente por amor, sem receber absolutamente nada, salvo aquelas que ainda conseguem receber ajuda de custo e/ou moradia.
Os dados são alarmantes, a pesquisa dos ingleses que foi realizada com mais de 3 mil jogadoras em todo o mundo mostra que o abismo financeiro é maior do quê o que se pode imaginar.

Diferente dos invejáveis dígitos dos contracheques de boa parte dos atletas de futebol do gênero masculino, a pesquisa aponta que cerca de 30% das entrevistadas ganham um salário de até 485 euros, que convertendo para o real chega a cerca de R$ 2.130,07 e, apenas 1% recebem salários igual ou maior que 6.400 euros, o que equivale a quase 30 mil reais e a pesquisa ainda foi além: Cerca de 30% dessas atletas possuem trabalhos paralelos ao futebol para poder se manter, algumas delas tiram do próprio bolso as viagens e hospedagens para os jogos sem ter nenhum reembolso de seus clubes.
Trazendo esses números para a realidade do nosso país, o abismo entre os gêneros com relação aos salários, premiações de campeonatos e mídia são enormes. Segundo dados levantados pelo portal Unisinos, apenas 2,7% da cobertura midiática é direcionada para elas. A diferença segue no quesito premiação: No campeonato dirigido pala CBF no ano de 2017 (quando a pesquisa iniciou) a equipe do Santos, campeã daquela edição, teve como premio o valor de 120 mil reais, premio 141 vezes menor que o valor recebido pelo time masculino do Corinthians, que foi campeão do mesmo torneio administrado pela CBF no mesmo ano.
