América sonha com a América, por que não?

O América Futebol Clube faz na chuvosa noite belo-horizontina o que nunca havia feito em sua história, alcança uma semifinal de Copa do Brasil, eliminando o Internacional nos pênaltis. Agora, vai para jogar contra o tricampeão da competição Palmeiras e sonha com uma vaga na final ou quem sabe a primeira Copa americana. Sonhar nunca é demais e, hoje, o Coelho pode sonhar com uma noite internacional, ou seja, com uma noite de Libertadores.

Vale lembrar que ganhar a Copa do Brasil vale além dos mais de R$ 50 milhões, uma vaga na fase de grupos da Libertadores. A Copa do Brasil, que nos últimos anos se acostumou a ter somente times de primeira divisão entre seus melhores, desta vez, teve intrusos entre os oito, Cuiabá e América fizeram história. O segundo vai mais adiante e alimenta uma ilusão de uma inédita conquista nacional de primeiro patamar para lendário decacampeão mineiro.

A campanha nesta Copa começou longe, lá na primeira fase, contra o Santos-AP com um empate por 1 a 1. Depois uma vitória por 2 a 0 ante o Operário-PR. No apagar das luzes na terceira fase, Rodolfo deu a glória ao América diante da Ferroviária no Estádio Raimundo Sampaio, o Independência. Antes da fase final, o Coelho de Lisca em casa despachou a Ponte Preta.

O primeiro time de primeira divisão veio, o Corinthians, e com teu futebol sensacional, o Coelhão ganhou pela primeira vez na Neo Química Arena com um improvável 1 a 0. A volta teve dois pênaltis, um contra e outro a favor, mas a vitória no agregado era americana. O sorteio das quartas de final rendeu outro time de Série A, também campeão de Copa do Brasil, Internacional. Por sorte ou simplesmente acaso, o colorado perdeu seu técnico na semana da ida no Beira-Rio.

Mais uma vez improvável, o América saiu vencedor do Sul com gol de Rodolfo. O embate de volta não rendeu muito em emoção até a última volta do ponteiro do relógio. Yuri Alberto abriu o placar para o Internacional e o jogo acabou. Times empatados e 14 cobranças de pênaltis viriam pela frente.

Lisca, um dos personagens da melhor campanha do Coelho na Copa do Brasil, falou antes das batidas que Matheus Cavichioli, goleiro americano, pegaria duas cobranças. Não foi necessário. A precisão alviverede aliada ao azar colorado coroou a passagem de fase. O goleirão pegaria duas, né, Lisca? Nem precisou. Thiago Galhardo mandou para fora e Uendel isolou a última cobrança no gol do lado aberto da ferradura do Independência.

Na falta dos rivais, o América mostrou que és o maior. O Atlético fez do Horto sua casa nas duas maiores conquistas do clube em 2013 e 2014, Libertadores e Copa do Brasil, respectivamente. Já o Cruzeiro tem a Copa do Brasil como a taça mais repetida na galeria. Porém, nesta noite de 18 de novembro de 2020, cantamos para o mundo inteiro, América, tu és a glória do desporto nacional.

São R$ 18 milhões na conta ao longo das seis fases jogadas da Copa do Brasil para o América. Mais do que o planejamento havia indicado antes da pandemia de coronavírus. Além disso, uma campanha segura na Série B que pode render o acesso à primeira divisão. Então, deste time de Lisca ‘Doido’ com o perdão da palavra, podemos esperar tudo. Quem sabe, em 2021, o Estádio Raimundo Sampaio tenha uma partida de Libertadores com o clube que carrega a América no nome. Por que não?

Resta1

Gabriel Neri

Amante de uma boa retranca uruguaia enquanto escuto uma MPB tomando uma cerveja argentina. Torcedor do Cruzeiro. Hincha de Independiente.