Entrevistamos Jorge Victor, treinador de futebol feminino com passagens por Atlético-MG, Cruzeiro e Ceará

Foto: Foto: Vinnicius Silva/Cruzeiro

Jorge Victor é um profissional muito jovem e promissor. Com apenas 27 anos, o treinador abriu o jogo para o MF e falou sobre suas motivações, trajetória no futebol e pensamentos sobre a categoria

“O que me motiva a trabalhar com futebol é a paixão que tenho pelo esporte e pela relação com a bola que
vem desde os primeiros anos de vida. Jogar bola sempre foi a brincadeira escolhida. E por causa disso, fui
atleta de futsal e futebol” – afirmou o treinador.

 

Trajetória

No futebol atuei em clubes na categoria de base até os 18 anos, quando passei no vestibular da UFMG para educação física e decidi focar nos estudos e começar a trajetória na graduação, mas já com o objetivo de me capacitar para trabalhar com o futebol, em comissões técnicas atuando como treinador, auxiliar técnico, analista de desempenho“.

Durante a graduação tive experiências no futebol de base masculino, futsal universitário masculino e
feminino e futebol universitário masculino. Quando finalizei a graduação, recebi um convite para atuar
como auxiliar técnico, na equipe feminina do América e vencemos o estadual de 2018″.

 

Primeira Experiência como Treinador

No início de 2019, fui convidado para atuar na equipe feminina do Cruzeiro, novamente como auxiliar
técnico. Atuei nesta função de fevereiro a dezembro de 2019, onde conseguimos o acesso para a série A1
do campeonato brasileiro feminino e fomos campeões estaduais. Em dezembro passei a atuar como
treinador da equipe e permaneci até setembro de 2020.

Em 2021 comecei o ano atuando, novamente, como auxiliar técnico da equipe feminina do Clube Atlético Mineiro, a convite do treinador Hoffmann Tulio. Fiquei na equipe até março, quando recebi o convite da equipe do Ceará Sporting Club e atuei como treinador na equipe cearense como treinador de abril a agosto.

Estilo de Jogo Preferido

“Procuro desenvolver equipes equilibradas, que saibam atacar e defender muito bem. E a partir deste
equilíbrio, equipes que busquem o gol a todo momento, tem a posse de bola como um meio para controlar
e desenvolver esta ideia de atacar sempre

“.

 

Referências e Ídolos no Futebol

  • Pep Guardiola: “Por ser um treinador que mudou o jogo e a maneira como ele é visto“.
  • Emily Lima: “Uma grande treinadora, Emily Lima. Gosto muito de ver suas equipes e sua maneira corajosa de jogar. Acho ela muito boa no que faz“.
  • Hoffmann Tulio: “Aqui os motivos são vários. Com ele eu pude trabalhar, aprender e discutir muita coisa. Um cara que mais de uma vez me deu a oportunidade de trabalhar com ele e com quem aprendi muito“.
  • Ídolo: “Lionel Messi“.
 

Análise sobre o atual momento do Futebol Feminino

(…) hoje existem melhores condições de trabalho, melhores remunerações e visibilidade para a
modalidade
“.

“Analiso que o futebol feminino brasileiro está e necessita caminhar para sua profissionalização integral.
Atletas, comissões técnicas, gestão e diretorias. Creio que quando isso ocorrer, será um produto valorizado
e rentável, pois atrairá um público disposto a pagar por este produto. Porém, enquanto alguma destas aéreas permanecer distante desta profissionalização, as dificuldades continuarão se repetindo
“.

“Além disso, vejo que o futebol feminino está se tornando algo cultural. Infelizmente, durante muitos anos,
o futebol feminino foi marginalizado e as mulheres mal vistas por jogarem e buscarem esta carreira. Hoje,
creio que já demos alguns passos e daqui a alguns anos teremos uma realidade melhor, pois será mais
comum a sociedade
“.

 
Foto: Cruzeiro EC.
 

Relação com Hoffman Túlio, treinador do Atlético-MG

Minha relação com ele é a melhor possível. Sou muito grato a ele pelas oportunidades que ele já me
concedeu e pela amizade que construímos.

“Sobre ele, um treinador que busca desenvolver equipes fortes mentalmente, equipes que se dedicam muito
a cada dia e que façam um jogo seguro. E uma das características dele é sempre realizar um avaliação do
seu elenco e suas potencialidades. Além disso, ele é um treinador que desenvolve muito seu relacionamento com as atletas e que faz tudo por elas, e diante disso, cobra o máximo de entrega de cada uma
“.

 

Atlético, América e Cruzeiro

P: Você acumulou passagens pelos três grandes clubes de Minas Gerais (América, Atlético e Cruzeiro).
Qual é sua visão sobre esses três clubes? Estão evoluindo o seu futebol feminino?

R:

  • O Atlético MG é o clube que teve a maior ascensão nos dois anos. Título estadual, acesso a A1 e finalista da A2. Vejo o clube com ótimos profissionais na equipe de Futebol Feminino, seja comissão e gestão. Oferece uma boa infraestrutura para a equipe feminina e tem investimentos já em bom nível, gerando expectativa de que a equipe irá se consolidar na A1.
  • O Cruzeiro como clube vive um momento difícil e que impacta a equipe feminina, mas, mesmo com tudo isso, conseguiu se manter na A1. Vejo que o Cruzeiro tem como ponto alto, o nível elevado de algumas atletas, e da sua coordenadora, Bárbara Fonseca, que conhece bem o futebol feminino mineiro e nacional. Assim, a imagem que a equipe transmite é que alcançou um bom patamar logo nos seus primeiros anos, e diante da situação geral do clube, seu desafio é manter esse patamar.
  • O América embora tenha sido o primeiro clube do estado a profissionalizar a equipe feminina, parece ser o que encontra maiores dificuldades para sua evolução. Por duas vezes bateu na trave na luta pelo acesso para a A1 (2019 e 2021) e perdeu o estadual em 2019, sendo vice campeão e a não classificação para final de 2020. Além disso, a equipe depende fundamentalmente da permanência da equipe masculina na primeira divisão para que o clube tenha maiores recursos e possa escolher se fará maiores investimentos no feminino.
 

Passagem pelo Ceará

P: Como técnico do Ceará, você quase conseguiu o acesso à Série A1. Como você avalia sua passagem
como treinador do clube cearense?


R: “Avalio como uma boa experiência devido a todo o que pude influenciar e partilhar na equipe feminina do
Ceará. Em campo, encontrei uma equipe que vinha de um insucesso no campeonato estadual e duas
eliminações no brasileiro na porta para o acesso, assim, foi necessário um trabalho de construir uma equipe
bem do início. Tivemos a melhor campanha da história do clube, mas perdemos o único jogo que não podíamos perder. Coisas do futebol. Fora de campo, pude também, junto com a comissão desenvolver
alguns pontos do trabalho da equipe, visando uma equipe totalmente profissional

“.

 

P: Falando em Ceará: você acredita que o clube está no caminho certo para não só subir, mas ser
protagonista no futebol brasileiro?


R: “Eu afirmo, o Ceará tem todas as condições para isso, clube estável, com gestão equilibrada e ambiente
político que pensa no melhor do clube. Mas só eles podem decidir se querem ou não. Se escolherem isso,
assim como citei anteriormente, todas as áreas precisam ser profissionalizadas
“.

 
Jorge Victor concede entrevista no Ceará
 

Brasil será capaz de formar novas estrelas, como Debinha, Formiga ou Marta?

Sem dúvidas. Existem várias atletas com potencial para alcançar o topo, destaco algumas: Duda e Vanessa
que permanecem no Cruzeiro, Micaelly hoje no São Paulo. Porém, para alcançar o que elas alcançaram, o
caminho é longo e exigente. A Marta é fora de série, acho difícil alguém fazer o que ela fez e faz. Ela é a rainha.