A queda do aproveitamento do Cruzeiro foi assumida por vários jogadores, inclusive pelo técnico Mano Menezes. Thiago Neves foi um dos que mais falou sobre e em entrevista pós-derrota para o Inter ele analisou. “Mais uma vez, atuação um pouco abaixo, mas tenho certeza que vamos melhorar”.
O início de temporada foi de encher os olhos de qualquer torcedor. Com novos reforços e a base mantida, o Cruzeiro entrou como favorito no Campeonato Mineiro e na Libertadores. Foi campeão estadual e tudo se encaminhou bem na maior competição da Américas.
No entanto, não estava tudo perfeito apesar dos resultados positivos. Em alguns jogos (no próprio Mineiro), o time sofreu. Tanto que acabou a primeira fase com quatro empates e atrás do Atlético. Além de perder pontos para os times da capital, o time celeste empatou com Boa Esporte e URT.
Invicto, o Cruzeiro levantou a taça do Mineiro (Foto: Cruzeiro)
Se teve tropeços na campanha do título, na Libertadores teve uma arrancada impressionante. Porém, sofreu em dois jogos antes da derrota para o Emelec dentro do Mineirão. Na abertura do grupo, 1 a 0 diante do Huracán com Fábio salvando. E contra o Deportivo Lara em BH só decidiu aos 94 minutos.
Mas o time avançou e chega como um dos favoritos a levar a Copa. Mesmo sem a primeira colocação geral, perdida na última rodada para o Palmeiras. Assim, não está tudo errado e nem tudo certo e a torcida sabe.
Os erros aparentes
Tudo começou a ser melhor visto nas finais do Mineiro. O Atlético com Rodrigo Santana conseguiu segurar o time de Mano e pressioná-lo em dados momentos. Isso pode ser avaliado como um “fator clássico”, mas não foi à toa. O time celeste foi campeão jogando mal e jogar mal ficou frequente depois disso.
O certo é que o time não encantou depois da final do Campeonato Mineiro. O último bom jogo com o time completou foi na vitória por 4 a 0 diante do Huracán.
Fred marcou três vezes e Dodô completou a goleada na ocasião (Foto: Vinnicius Silva/Cruzero)
De lá para cá foram oito jogos: quatro vitórias, três derrotas e um empate. Mas, além dos resultados, é importante citar a queda geral do time. Praticamente todos os jogadores caíram de produção. Seria até normal um ou outro entrar numa má fase, porém, não é o que vemos.
Ao analisar um por um do time principal que é Fábio; Edílson, Dedé, Léo e Dodô; Henrique, Lucas Romero, Robinho, Rodriguinho e Marquinhos Gabriel; Fred; vemos que a queda foi grande. Fábio teve uma falha, mas salvou diante do Ceará. Edílson vem jogando mal há alguns jogos e a torcida clama por Orejuela.
No meio campo, Robinho e Marquinhos Gabriel ficam de fora das críticas. O camisa 19 é a peça fundamental e manteve seu padrão apesar do cansaço. E o camisa 20 está lesionado. Mas a dupla de volantes vem mostrando dificuldades em sair para jogar e na marcação também. Por fim, Rodriguinho, depois do magnifico início, perdeu um pouco seu brilho.
No ataque, Fred ainda não marcou no Brasileirão e seu último gol foi diante do Deportivo Lara. Ele demonstra uma queda física também por conta da sequência de jogos.
Ilustração em números
A melhor competição para ilustrar a queda é justamente o Campeonato Brasileiro. O Cruzeiro tem duas vitórias e duas derrotas. O início é melhor que a última temporada, mas decepciona. Hoje o time está em 11ª com -2 de saldo e cinco gols feitos. Os números parecem “normais”, mas vamos compara-los com os líderes.
O time de Mano Menezes tem dificuldades na criação e finalização de jogadas. Quando a bola chega para ser chutada, o time erra bastante. De acordo com o Footstats, o time precisa de quase nove chutes para marcar um gol. Na liga, quem menos precisa é o Palmeiras com quatro.
A defesa que era um dos pontos fortes do time também em baixa. O time precisa sofrer apenas 8 chutes (em valor aproximado) para ser vazada. Isso é visto tanto que nos dois jogos fora do Mineirão, foram seis gols sofridos. E o número tá muito distante das melhores defesas. O Santos precisa de VINTE E SETE chutes para sofrer um gol. O São Paulo de vinte e o Palmeiras de 18. Atualmente, o time celeste tá mais próximo do Fluminense, Grêmio e Vasco, que precisam de seis chutes para sofrerem os gols.
Demora para fazer e rapidez para sofrer
Para encerrar a numerologia, os passes para tomar e fazer um gol. Na 14ª posição entre 20 times no Brasileirão, o time precisa de 362 (em valores aproximados) para fazer. O líder no quesito, o Palmeiras, precisa de 75 passes apenas. Mas a média dos melhores times gira na casa dos 200 como Athletico, Bahia e Santos.
E para ter suas redes balançadas, o time de Mano Menezes é o quinto pior. Com 232,86 passes para tomar um gol, o time está melhor que Vasco, Fluminense, Grêmio e Athletico-PR. Muito longe de Palmeiras, Santos e São Paulo que estão acima dos 780 passes para serem vazados.
Portanto, é momento de refletir e trabalhar. Esta semana é mais uma decisiva com Copa do Brasil e o sorteio de Libertadores. Esperamos uma melhora do time e que ele volte aos bons dias.