Os aprendizados depois da derrota

Este dia 15 de julho não é uma data que o cruzeirense gosta de lembrar. Diferente de outras, não é uma lembrança de título, jogo histórico ou qualquer conquista. Mas sim, uma derrota, talvez a mais traumática no século e com certeza, uma das mais marcantes e dolorosas na história do Clube.

A data é o aniversário de 10 anos da derrota dentro do Mineirão com mais de 70 mil pessoas para o Estudiantes. 2 a 1. De virada. Sem a reação para empatar, uma bola na trave na bacia da almas e a tristeza de ver o tricampeonato tão perto e tão longe.

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A festa argentina no Mineirão (Foto: Gazeta Press)

Depois daquele jogo, o Cruzeiro não jogou mais nenhuma partida de semifinal ou final de Libertadores. Foram seis participações (2010, 2011, 2014, 2015 e 2018), uma queda nas oitavas e quatro vezes nas quartas de finais. Em ordem cronológica, quedas para São Paulo, Once Caldas, San Lorenzo, River Plate e Boca Juniors.

O triste (mas necessário) legado da derrota

A Libertadores de 2009 mostrou-se muito cruel para o Cruzeiro. O time começou a competição vencendo o Estudiantes e caiu para o mesmo rival na decisão. Um pecado. O time não era tão bom quanto outros que nem chegaram perto como o de 2004 ou 2014. No entanto, foi se ajeitando, segurando resultados e chegou quase no topo da América.

Não foi o primeiro vice-campeonato da Copa. Em 1977, depois da primeira taça, o time também foi vice para o Boca Juniors em uma disputa polêmica em Santiago. Mas aquela disputa fica no esquecimento de muitos, porque o time tinha sido campeão recente. A de 2009 é muito lembrada.

O time base era com Fábio; Jonathan, Thiago Eleno, Leo Silva e Gerson Magrão; Henrique, Marquinhos Paraná, Ramires e Wagner; Welligton Paulista e Kléber. Todos comandados por Adílson Batista.

Os aprendizados

O primeiro aprendizado é a preparação. Como já foi dito em entrevista pelo goleiro Fábio, capitão daquela equipe, é que “não tínhamos um time para ganhar a Libertadores”. E isso é comprovado pelo plantel disponível para Adílson. Era um time ‘contadinho’ e que vivia no limite.

Naquela competição, várias finais foram disputadas, jogos duros, fora de casa. Na fase de grupos, o time passou em primeiro e pegou a Univerdad de Chile nas oitavas. Ganhou os dois jogos. Depois, pegou o São Paulo e jogou seu máximo e também venceu as duas partidas. A semifinal foi contra o Grêmio e a força do Mineirão foi importante para passar. Assim, o time chegava no limite na final e foi justamente aí que tudo desandou.

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Diante do Grêmio, Welligon Paulista fez os gols da classificação (Foto: UOL Esporte)

O ‘oba-oba’ também contaminou o time. O clima de já ganhou por conta do empate em La Plata, segurado com as defesas de Fábio, foi determinante para a derrota em BH. A imprensa colocava o Cruzeiro como favorito por decidir em casa e já ter ganho do Estudiantes por 3 a 0 no Gigante.

Além disso, tiveram discussões de como seria dividido o ‘bicho’ da conquista sem o time ser campeão. Outro erro. Por último, a enorme confiança e até inocência da torcida antes do jogo e ate a presente no dia.

O jogo de volta, a decisão, a maioria sabe o roteiro. O primeiro tempo nervoso e sem gols. O segundo tempo com muitas emoções. Henrique abriu o placar logo no começo e o jogo parecia ganho. “VAMOS CRUZEIRO QUERIDO DE TRADIÇÃO, LIBERTADORES SER CAMPEÃO”, cantava a torcida. Mas a ilusão terminou com o empate e o 2 a 1 na sequência. No fim, Thiago Ribeiro ainda acertou a trave. E assim o Cruzeiro ficou, na trave.

Enfim, aquela final foi uma experiência dura e triste que o cruzeirense viveu. O time estava dentro de um jejum de 7 anos sem títulos grandes e a derrota de virada não pode ser esquecida para não cometer os erros.