Um time de argentinos e artilheiro uruguaio: os estrangeiros do Cruzeiro desde 2010

O Cruzeiro é um dos times conhecidos por sempre ter estrangeiros em seus elencos. Muitos desses jogadores fizeram história e se consagraram usando a camisa celeste. Outros passaram despercebidos e atuaram em poucas partidas. Já dos presentes do atual elenco, dois têm partidas. Desde 2010, a equipe cruzeirense teve 27 jogadores estrangeiros. A maior parte desses foram argentinos e também teve um jogador de fora do continente.

Entre os principais nomes desses últimos dez anos, com certeza, podemos citar o argentino Montillo, o uruguaio De Arrascaeta, o boliviano Marcelo Moreno e o também argentino Ariel Cabral, que vai para a sua sexta temporada jogando pelo Cruzeiro. Todos esses conquistaram algum título com a Raposa, seja Mineiro, Brasileiro ou Copa do Brasil. A única posição que não teve estrangeiro foi a de goleiro.

Ariel Cabral estreou em agosto de 2015 pelo Cruzeiro e está até hoje no elenco (Washington Alves/Light Press)

Argentinos

O país que mais cedeu jogadores ao Cruzeiro foi o nosso vizinho portenho, a Argentina. Dos 25 atletas estrangeiros desde 2010, quase metade veio de lá. São onze jogadores ao todo, um verdadeiro time de argentinos que atuou pelo Cruzeiro na última década. Alguns tiveram boas passagens e outros foram esquecidos pela torcida. Hoje, no atual elenco, há somente um argentino, o volante portenho Ariel Cabral.

O primeiro citado é o meia Walter Montillo, ele foi um dos principais jogadores entre 2010 e 2011 e ajudou o time a permanecer na primeira divisão em 2011. Ele é o sétimo jogador estrangeiro com mais jogos pelo Clube, tem 122 jogos, 18 gols e venceu o Mineiro de 2011. Outro também presente nos elencos de 2010 e 2011 era Ernesto Farías, que atuou 34 vezes, marcou oito gols e também estava no time campeão mineiro de 2011.

Montillo foi um dos pilares do time em 2011 (Washington Alves/Vipcomm)

Um atleta não muito lembrado é o atacante Martinuccio, que atuou 21 vezes pelo clube, fez cinco gols e conquistou três títulos: Brasileiros de 2013 e 2014 e o Mineiro de 2014. Seu auge com a camisa celeste foi no fim de 2012, mas nunca chegou a ter uma grande sequência depois.

Em 2015, chegou o estrangeiro com mais jogos (segundo na história) e tempo de casa do atual elenco, Ariel Cabral. Vindo o Vélez, da Argentina, ele tem quatro títulos com o Cruzeiro: duas Copas do Brasil e dois Mineiros, 177 jogos, quatro gols e estava no elenco rebaixado em 2019. Em 2020, ele vai para sua sexta temporada seguida em Belo Horizonte. Com os mesmos títulos de Cabral, Lucas Romero, que saiu em 2019, tem 152 jogos (o terceiro com mais jogos) e três gols. El Perro, como é conhecido, também veio do Vélez e está no Independiente.

Ramón ‘Wanchope’ Ábila também foi outro com destaque. O ‘Ábilão da salvação’ foi muito importante na briga contra o rebaixamento em 2016 e foi para o Boca Juniors em 2017. No Cruzeiro, fez 26 gols e ganhou a Copa do Brasil de 2017. Também atacante Hernán ‘Pirata’ Barcos jogou em 2018 e teve boas atuações na Copa do Brasil conquistada pelo Cruzeiro diante do Corinthians, fez 24 jogos e três gols.

Wanchope Ábila ajudou e muito o Cruzeiro na briga contra o rebaixamento em 2016 (Yuri Edmundo Cruzeiro/Divulgação)

Finalizando o time de argentinos, temos os que não fizeram tanto sucesso em Minas Gerais. Caso do meia-lateral Sanchéz Miño, colega de Lucas Romero atualmente, do meia Matías Pisano, meia Alexis Messidoro e do volante Mancuello. Somados, eles têm cinco gols e somente o ex-Flamengo atuou mais de 30 jogos.

Colombianos

O segundo país que mais rendeu jogadores ao Cruzeiro foi a Colômbia. Foram cinco atletas no total e o que teve mais destaque desde 2010 foi o lateral-direito Luis Orejuela. Ele foi o que mais atuou, 35 vezes e fez dois gols em 2019, ganhou um Campeonato Mineiro e teve destaque mesmo em um time rebaixado. O segundo com mais jogos foi polêmico atacante Duvier Riascos, que jogou 16 vezes e fez um gol contra o Atlético Mineiro.

Além desses, teve o meia Javier Reina que jogou cinco partidas pelo Clube, o volante Diego Arias, que atuou em 2012 três vezes e agora o atacante Iván Angulo, que ainda não atuou.

Mesmo com o descendo, Orejuela, que estava emprestado pelo Ajax, foi contratado no fim da temporada de 2019 (Vinnicius Silva/Cruzeiro)

Paraguaios

O Cruzeiro teve três paraguaios na década. Um deles está no atual elenco, o lateral-direito Rául Cáceres. Os outros dois tiveram presentes na primeira metade da década. O primeiro, o atacante Ortigoza, atuou 34 vezes com a camisa celeste, ganhou o Campeonato Mineiro de 2011 e estava no 6 a 1 sobre o Atlético Mineiro na última rodada do Brasileirão daquele ano. Já o outro foi Miguel Samudio, lateral-esquerdo, em 2014. Ele jogou 29 vezes, ganhou o Mineiro e o Brasileiro no ano e fez dois gols, ambos na Libertadores.

Uruguaios, chilenos e equatorianos

Dos 27 atletas, apenas dois vieram do país que tem a capital Montevidéu. São eles o zagueiro Victorino e o meia Giogian De Arrascaeta. O defensor atuou em 56 partidas entre 2011 e 2012 e teve bom desempenho por sua passagem em Minas. E também estava na conquista do Mineiro de 2011.

O meia de Nuevo Berlín talvez tenha sido o melhor estrangeiro da década e da história do Cruzeiro. Pelos números, é o maior jogador em número de jogos, 188, e em gols, 50. Sempre decisivo nos clássicos, especialmente contra o América e Atlético, e foi o único na história a marcar gols em duas finais seguidas de Copa do Brasil, as de 2017 e de 2018. Ganhou também dois Mineiros. Ele saiu no final de 2018 para o Flamengo.

Arrascaeta comemorando o gol do título da Copa do Brasil de 2018 na Arena Corinthians (Reprodução/Estadão)

Os dois chilenos foram dois defensores, o volante Felipe Seymour e o lateral-esquerdo Eugenio Mena. O primeiro jogou apenas cinco partidas e não vingou na equipe de 2015. Seu colega em 2015, Mena, jogou 26 partidas e foi titular da lateral no ano. Não teve uma brilhante passagem pelo Cruzeiro, mas cumpriu seu papel.

Já os equatorianos são Joffre Guerrón e Kunty Caicedo. Guerrón atuou em duas temporadas pelo Cruzeiro, 2009 e 2010. El Dinamita, como também é conhecido, fez 27 jogos pelo Cruzeiro e marcou quatro gols. Já Kunty Caicedo não teve uma longa passagem em BH. O ex-zagueiro do Independiente Del Valle, vice-campeão da Libertadores em 2016, defendeu as cores celestes por 24 partidas e não ficou até o fim de 2017. Saiu com uma Copa do Brasil.

Boliviano e camaronês

Os últimos citados são os dois atacantes que não tiveram compatriotas no elenco, Marcelo Moreno e Joel. O boliviano está no atual elenco para sua terceira passagem pelo Cruzeiro, e é o segundo jogador estrangeiro com mais gols pelo Clube. Moreno tem três mineiros (2008, 2009 e 2014) e um Campeonato Brasileiro. Atrás apenas de Arrascaeta, ele marcou 46 gols em 98 jogos.

Marcelo Moreno foi o atacante titular do Cruzeiro em 2014 (André Yanckous/Agif/Folhapress)

Único jogador celeste de fora do continente sul-americano na década, o camaronês Joel Tagueu chegou em 2015, teve algumas oportunidades, marcando cinco gols, e foi emprestado. No ano passado, retornou e atuou em quatro jogos. Ao todo, foram 31 jogos.

Com informações do portal CruzeiroPédia