Afeganistão, a volta do Talibã já afeta a evolução do futebol no país
Os últimos dias, o olhar do mundo se voltou para a situação dentro do Afeganistão, pois o mesmo movimento fundamentalista que esteve no poder entre o final dos anos 1990 e início de 2000 voltou ao poder. Com isso, a evolução que estava aos poucos acontecendo, mesmo que lentamente, agora está próxima de ser extinta. A seleção nacional tem seu vínculo em Khorasan (região que significa coração na língua nativa) e iniciou sua trajetória em 1922, mas com sua ligação a FIFA atrelada em 1948 e a AFC em 1954.
Em termos históricos, sua primeira aparição foi nos Jogos Olímpicos em Londres, todavia a derrota para Luxemburgo por 6 a 0 encerrou sua trajetória. Na sequência atuou nos Jogos Asiáticos de 1951 ficando num honroso quarto lugar dentro da competição, depois disso viveu um limbo gigantesco que se intensificou após 1984 (último jogo nas Eliminatórias Ásiaticas da Copa do Mundo). Até 2001, o país viveu momentos de instabilidade política e assim o esporte foi parando de existir.
A primeira participação após a chegada do presidente Hamid Karzai ao poder foi em 2003 na Copa da SAFF (Sul da Ásia) e depois de bater na trave em 2011 ao ser vice da Índia, em 2013 enfim conquistou o único título da sua breve história pelo placar de 2 a 0. No período 2014-2021, o Afeganistão venceu o Quirguistão (1 a 0), Laos (2 a 0), Camboja (três vezes), Bangladesh (duas vezes), Butão (3 a 0), Maldivas (duas vezes), Sri Lanka (5 a 0), Singapura (duas vezes) e Indonésia (3 a 2).
Essa evolução advém muito pelos jogadores com descendência afegã que disputam campeonatos em outros países, pelo exemplo o defensor David Najem (New Mexico United), Abassin Alikhil (SC Hessen Dreieich, time amador alemão) e Noor Husin (Dartford, clube amador inglês). No ataque possuí os principais nomes, Omran Haydary (Lechia Gdansk, da Polônia) e Jabar Sharza (IFK Helsinque, da Finlândia). Outros pontos importantes envolvem a seleção feminina e também as equipes afegãs.
Khalida Popal, hoje tem 34 anos, mas sua trajetória envolveu a liderança do Comitê de Futebol Feminino, a diretoria financeira da Federação Afegã de Futebol, além de capitanear a seleção e treinar equipes femininas sub-17 e sub-15 no Afeganistão. Ela foi a idealizadora do crescimento do esporte dentro do país e com isso teve que sair, pois estava sendo perseguida. Ela ficou na Índia, Estados Unidos e Dinamarca, onde conseguiu se vincular a marca esportiva Hummel e a empresa chegou a fazer um uniforme com o rijab (véu), além de patrocinar o fomento do esporte.
Sua voz ainda ecoa pelo mundo a fora e em fala com a Associated Press, definiu a atual situação desta maneira: “Tenho encorajado outras jogadoras a suspender suas contas nas redes sociais, apagar fotos, fugir e se esconder. Isso parte meu coração, porque em todos esses anos trabalhamos para aumentar a visibilidade das mulheres. Agora, estou dizendo às minhas garotas no Afeganistão para que se calem e desapareçam. Suas vidas estão em perigo”. Em 2019, Popal conseguiu a saída de Keramuddin Karim da Federação por abuso sexual.
