Entrevista com Malu Schwaizer, jogadora do Internacional

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Malu Schwaizer, tem 19 anos, é jogadora do Internacional e já teve passagem pelo Santos.

Desde muito cedo, o futebol esteve presente na vida de Malu. Aos 5 anos, entrou para escola de futebol, mas antes disso já jogava muito com seu irmão, também jogador profissional Pedro Lucas, atualmente no Figueirense. A sua grande motivação para começar a jogar bola veio da sua família. Ela conta que a sua infância foi marcada pelo futebol, brincando na rua e no campinho perto de casa. Sua paixão cresceu ali. Contudo, foi quando se mudou para Porto Alegre que o futebol se tornou prioridade na sua vida. “Eu comecei a fazer o futebol com a primeira opção da minha vida.

Aos 13 anos, Malu participou de um teste para seleção brasileira sub-15. Como ainda era muito nova, sua participação seria apenas para completar o time. Entretanto, quando saiu a convocação veio a surpresa: seu nome estava na lista. “Eu não acreditei. Com 13 anos, eu estava indo para seleção brasileira. Foi muito gratificante para mim. Eu vi que sim, eu tinha potencial para ser atleta profissional”. No começo, foram cinco meses indo para seleção só para preparação, sem competir em campeonato oficial. Mesmo assim, o encanto de estar treinando lá com a jogadoras da seleção conquistou Malu –” Nossa, os meus olhos brilhavam”.

Com 15 anos, se mudou para São Paulo para jogar pelo Santos. Foi a atleta mais nova a assinar um contrato profissional com o clube – tinha apenas 16 anos. “Foi onde me tornei atleta profissional mesmo. Lá eu tive a decisão de estudar à noite e treinar de manhã e de tarde. Comecei a me preparar para o futebol”.

Créditos Foto: Fernando Jacondino
E o Inter?

Após a temporada de 2018, Malu recebeu proposta pra jogar no Internacional. O clube montou um projeto para conquistar o Campeonato Brasileiro sub-18. Em 2019, foi realizada a primeira edição da primeira competição nacional organizada especificamente para categorias de base feminina. A jogadora acreditou no projeto apresentado e assinou com o Inter. Assim, mudou-se de volta para Porto Alegre. O sonho de vestir a camisa do Inter já era antigo e tem muita influência do irmão, que é cria do Celeiro de Ases. ”Era meu sonho jogar no Inter. Eu vi meu irmão jogar no Inter desde os 7 anos. Eu via ele nos jogos, eu via ele participando da história do clube“.

Durante o ano de 2019, a preparação do time estava centrada no Campeonato Brasileiro. E todo o esforço das Gurias foi recompensado. O time sub-18 fez uma campanha excelente e faturou o título brasileiro em um final no Pacaembu contra o time do São Paulo. “Nosso time estava com uma vontade, uma gana de ganhar”. Malu comentou sobre a sensação de ser campeã vestindo a camisa do Internacional: “Foi uma sensação única. Foi um ano muito marcante para mim, vou levar para sempre na minha. Eu sempre quis ganhar título pelo Inter e fazer história. Acho que nosso nome ficou marcado na história”.

Quando acabou o Campeonato Brasileiro, as meninas do sub-18 subiram para o profissional. Malu contou que pode estrear no profissional e participar de quatro jogos do Gauchão. As Gurias Coloradas se consagraram campeãs da temporada em uma final contra o rival Grêmio. Foi a primeira experiência de Grenal da Malu e ao contar sobre a sensação de vivenciar um Grenal como jogadora, ela disse: “Grenal é muito emocionante e o meu primeiro foi na casa do Grêmio. A torcida deles lá e a nossa gritando, nos apoiando. Tu entra no campo já toda arrepiada.”

Mulher no futebol

O futebol por muito tempo foi associado a masculinidade e a um esporte de homens. Por essa razão, as mulheres precisaram conquistar o seu espaço, quebrar muitos paradigmas e combater muito preconceito. Normalmente, o primeiro desafio encontrado pelas meninas quando começam a jogar bola é ausência de categoria feminina. Com a Malu não foi diferente. “Eu sempre joguei, desde pequena, com os meninos, porque não tinha categoria feminina. Ouvia dos meninos: – O que uma guria vai jogar com a gente? Ela não pode jogar junto. Ela é fraca. Isso já ouvi muito. Ouvi mãe falando: Como meu filho é banco para uma menina?”. Apesar de tudo, isso nunca impediu Malu de seguir o seu sonho. “Como eu falo para todas as meninas: isso entra em um ouvido, sai de outro e tu continua jogando. Eu vou mostrar para ela que sim, o filho dela vai ser banco para mim”.

Após a Copa do Mundo do ano passado, o futebol feminino começou a ganhar mais visibilidade no país. “As pessoas começaram a olhar de um jeito diferente. Começaram a ver que futebol feminino é sim importante e que veio para ficar”. Aos poucos, a realidade do futebol feminino brasileiro vai mudando. “Os clubes estão dando mias valor. Estão dando suporte para futebol feminino. O internacional tem todo um CT e uma comissão preparada para o futebol feminino”. Além da valorização do esporte como um todo, as categorias de base são um ponto importante. “Hoje, a maioria dos clubes tem base para as meninas de 12, 13 anos. Isso é extremamente importante. Por que é nas categorias de base que as meninas se desenvolvem, aprendem a se posicionar em campo. Quanto mais cedo entrar para um time de futebol, melhor para poder praticar”.

No dia 23 maio, conversei com a Malu em uma live no Instagram do site que está disponível neste link para assistir.

Créditos foto de capa: Mari Capra

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