Eritreia, o futebol como porta-voz de sonhos apesar de tantas dificuldades

Foto: Jonas Lindkvist.

Na última semana, a OMS (Organização Mundial de Saúde) afirmou que cinco países ainda não tinham começado a vacinação: Burundi, Coreia do Norte, Eritreia, Haiti e Tanzânia. Você pode se perguntar, qual a relação com o material de hoje? Irei explicar. Desses listados, somente faltava algo dos eritreus, porém agora não faltará mais, pois abordaremos um pouco sobre a situação dentro da localidade. O estado se tornou independente em 1993, mas desde então vive um regime com muitas restrições em todas as áreas, através de Isaias Afewerki.

Hoje, a Eritreia é um dos países com maior dificuldades para se viver, principalmente após o início da guerra contra a vizinha Etiópia, inclusive a ONU nos últimos dias acabou intervindo em Tigré, por causa da fome na região. A situação no futebol também segue a tônica, pois entre 2007 e 2019, alguns jogadores da seleção eritreia (principal e sub-20) pediram asilo em Angola, Botsuana, Quênia e Uganda, inclusive uma dessas oportunidades foi depois de ser vice-campeão da Cecafa Senior Challenge Cup.

As informações sobre o que acontece dentro do futebol eritreu são escassas, porém o Mar Vermelho FC mantém o predomínio no Campeonato Nacional que se visto de fora parece uma liga amadora do Brasil. Os jovens não se interessam muito pelas partidas, pois estão mais relacionados ao que acontece na Europa e a renda dos principais atletas da competição se transformadas em real não chega a um salário mínimo. Então por qual motivo falamos de sonhos? Iremos responder.

Existe dois jogadores com dupla nacionalidade que se tornaram expoentes para aqueles que refugiam em outros países, por exemplo o FC Lampedusa, time amador da Alemanha abriga muitos atletas eritreus que buscam uma oportunidade profissional. O primeiro da lista é o atacante Henok Goitom, de 36 anos que chegou a jogar na seleção de base sueca, porém em 2015 foi chamado para jogar na seleção eritreia abraçando a causa. Mesmo sendo a atual 203º colocada, um jogador com passagens por Udinese, Real Valladolid e Almería faz total diferença.

O segundo se tornou conhecido nas últimas temporadas e atende pelo nome de Alexander Isak (21 anos). O atacante revelado pelo AIK, passou pelo Borussia Dortmund e atual é um dos principais nomes da Real Sociedad e da seleção sueca chamando a atenção de equipes como Arsenal, Barcelona e Real Madrid. Apesar de nunca ter jogado na Eritreia, ele é um símbolo que os sonhos podem ser realizados, sendo que assim muitos atletas do país se espelham nele para chegar ao tão desejado futebol europeu.

Fundado em 1996, a Federação de Futebol da Eritreia tem um longo caminho a percorrer, mas para quem já foi considerado a pior seleção do mundo (hoje é San Marino) subir sete posições já é um alento mínimo. Vale lembrar que o país não estará entre os 40 que disputarão a fase de grupos nas Eliminatórias da Copa do Mundo, pois foram eliminados após duas derrotas para a Namíbia em 2019. Desde então, a localidade vive um limbo também pelo coronavírus, mas é a hora de repensar os próximos passos em todos os setores.