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Ilhas Comores, o progresso da caçula africana deve ser exaltado

O país que significa lua possui 880 mil habitantes e área de 1.862 km² e possui uma história bastante peculiar, pois apesar de ter sua Federação desde 1979 foi filiada somente a Confederação Africana em 2003, sendo o último nesse quesito na região e somente em 2005 à FIFA, ou seja, a 206ª nação que se filiou ao órgão máximo do futebol. O conjunto de três arquipélagos: Ngazidja, Mwali e Nzwani entre Moçambique e Madagascar somente teve seu primeiro jogo oficial em 2007, uma derrota de 4 a 0 para os malgaxes. Todavia, a história estava sendo escrita e com ajuda externa, os comorianos começaram a evoluir dentro do esporte.

Vale ressaltar que antes da chegada da filiação, Comores disputava os Jogos das Ilhas do Oceano Índico, sendo que chegaram em terceiro lugar em 1979 e 1985 no futebol. Atualmente o número 130 do ranking da FIFA sedia seus jogos no estádio Said Mohamed Cheikh (nome do chefe de governo da nação entre 1962 e 1970) com capacidade para dois mil expectadores. Porém, o crescimento veio, após um investimento maciço dos diretores na captação de atletas francesas com descendência comorense, tanto que atualmente nenhum dos jogadores atua no país.

Independente desde 1975 e uma república islâmica a partir de 2002, Comores teve que mudar também sua liga nacional, atualmente as três ilhas disputam uma competição interna e o vencedor de cada campeonato joga entre si, ano passado o US Zilimadjou foi o campeão. Mas, retornando aos celacantos (peixe muito conhecido na localidade e codinome da seleção) convocaram 32 atletas durante as Eliminatórias da Copa das Nações Africanas, sendo que a maioria deles atua na França, além disso tem jogadores na Noruega, Bélgica, Mauritânia, Inglaterra, Suíça, Holanda, Romênia e Sérvia.

O treinador francês Amir Abdou, de 48 anos colhe os frutos de seu trabalho que acontecesse desde 2014 e em termos de elenco pode contar com o goleiro Ali Ahamada (Brann), o defensor Kassim M’Dahoma (SC Lyon, da terceira divisão francesa), os meias Saïd Bakari (RKC Waalwijk, 72 jogos e 3 gols pela agremiação) e Nadjim Abdou (ex-Millwall e atual FC Martigues), além do principal atleta, sendo para muitos um nome histórico, o atacante El Fardou Ben, autor de 61 tentos em 120 partidas pelo Estrela Vermelha. Com contrato até julho de 2023 deve ser analisado pelas grandes ligas em um futuro próximo.

Em termos de desempenho, Comores se classificou junto com o Egito de Mohamed Salah no Grupo G, superando seleções mais tradicionais como Quênia e Togo. Lembrando que em cinco rodadas, venceu duas e empatou as outras três, tendo a principal surpresa no decorrer da competição a vitória sobre os togoleses por 1 a 0 fora de casa. No último duelo, o empate de 0 a 0 foi o bastante para que comemoração acontecesse na capital Moroni com direito ao hino e muita alegria dos torcedores que verão pela primeira vez, a nação no principal campeonato continental.

Foto de capa: Federação de Futebol de Comores.