Investimento, hegemonia e invencibilidade: Lyon, a maior potência do futebol feminino mundial

Alto investimento e boas condições de trabalho, foram fatores fundamentais para que o Olympique Lyonnais fosse consolidado como uma, se não a maior, potência do futebol feminino mundial. O Lyon é a equipe que mais conquistou títulos na Europa nos últimos anos, mas a hegemonia é fruto de um grande trabalho, também, nos bastidores.

Inicialmente, apesar de ainda contar com uma diferença salarial considerável, as jogadoras do clube francês possuem as mesmas condições de trabalho dos homens. A iniciativa que partiu de Jean-Michel Aulas, presidente do clube, acabou resultando em uma máquina de conquistar títulos.

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Wendie Renard, capitã do Lyon, declarou em entrevista que o presidente ”é um visionário”, quanto ao investimento na categoria. ”Michel Aulas é louco. Ele quer sempre evoluir. Todos os clubes deveriam, não digo copiar, porque cada clube tem uma identidade. Mas deveriam ter a mesma estrutura para os homens e para as mulheres, isso é importante. Para ele, não há diferença entre os times masculino e feminino, nós vestimos a mesma camisa, temos as mesmas cores”, revelou a capitã.

Foto: Damien LG/OL
Estrutura

A equipe de futebol feminino do Lyon, utiliza o mesmo CT e utiliza das mesmas instalações que a equipe masculina. Contudo, devido ao alto investimento, conta com estrutura própria, uma das melhores da Europa.

Sonia Bompastor, dirigente do clube, contou, em entrevista, que ”as jogadoras do grupo profissional têm treinos em campo gramado, grama artificial e um campo fechado com grama artificial, para dias muito frios e com neve. Elas também têm médico, três fisioterapeutas, uma psicóloga esportiva no dia a dia, uma treinadora de atacantes, treinadora das goleiras e uma treinadora das jovens do grupo profissional, porque as jovens têm que treinar mais e têm mais coisas a aprender”, afirmou.

”Acho que estamos exatamente no mesmo nível de muitos clubes masculinos da primeira divisão da França, e se comparar com os times masculinos da segunda divisão estamos melhores”, disse a dirigente, que conta com 134 meninas de 7 a 17 anos sob sua responsabilidade no clube.

Foto: Damien LG/OL
Hegemonia

O Lyon não perde uma partida desde a temporada 17/18. A equipe francesa conquistou seis títulos da UEFA Women’s Champions League, sendo os últimos quatro, em sequência. Além disso, chegou, neste ano, ao seu 14º título do Campeonato Francês, de forma consecutiva.

Mas o Lyon pode ser considerado o melhor time do mundo?. No futebol feminino inexiste, até o momento, o Mundial de Clubes, para que esta dúvida seja tirada em campo. Portanto, nos apeguemos aos números: Dentre as 28 jogadoras do elenco, 18 deixam a equipe nas datas FIFA, para servirem oito seleções nacionais distintas. Número que poderia ser maior, se a norueguesa Ada Hegerberg, Bola de Ouro em 2018, não estivesse em conflito com a federação de seu país.

Além disso, dentre os últimos 31 campeonatos oficiais disputados desde 2010, o Lyon conquistou 24 deles. Sendo, todos os Campeonatos Franceses da última década, sete Copas da França, seis Champions League (sendo as quatro últimas de forma consecutiva) e a primeira edição da Supercopa da França, no ano passado.

Investimento e diferença salarial

O presidente do clube ainda comentou sobre o futuro da modalidade, em entrevista ao Esporte Espetacular. ”Temos certeza da emergência da paridade feminina na civilização de maneira geral num futuro próximo, e também no futebol. Então, decidimos investir porque acreditamos na paridade feminina e temos muito coração e convicção para formar uma equipe mítica”, concluiu.

Foto: R. Mouillaud/Le Progres

Quanto à diferença salarial entre o futebol masculino e o futebol feminino, Aulas explicou acreditar em um trabalho de longo prazo. ”É um assunto tabu. É preciso dizer que para ter um salário igual, precisa haver uma dinâmica homogênea. Se o masculino dá 10 milhões de espectadores e o feminino dá 100 mil, uma diferença de 20 vezes, o mercado vai respeitar essa margem”.

”O mercado dita a proporção do salário. Devemos ter essa paridade, mas precisamos corrigir essa diferença de mercado. Hoje, o mercado feminino cresce muito, mas está muito atrás do masculino. Contudo, o presidente demonstra um bom exemplo, quanto à iniciativa do clube. ”Hoje, a infraestrutura do feminino e do masculino no Lyon é a mesma. Quando eu invisto um euro no masculino, invisto um euro no feminino”, concluiu.

Foto de capa: R. Mouillaud/Le Progres