Pesquisa aponta que atletas negros têm melhor desempenho em jogos sem público

Foto: Charlotte Tattersall/Getty Images

Uma pesquisa realizada por Fabrizio Colella, doutorando da Escola de Altos Estudos Comerciais, da Universidade de Lausanne, na Suíça, apresenta dados recentes para exemplificar como o racismo é expressado no futebol. Consequentemente, é avaliado o quanto estes comportamentos refletem no desempenho de jogadores de alto nível.

As pontuações reais utilizadas, foram filtradas através de um jogo fantasia (semelhante ao Cartola FC), avaliando fatores que vão além de gols e assistências. Foram avaliadas as atuações de 500 jogadores da Série A, primeira divisão do Campeonato Italiano, comparando jogos com e sem público.

Apesar de produzir um estudo voltado ao contexto do futebol italiano, Colella também comentou acerca dos expressivos ataques racistas sofridos por Saka, Sancho e Rashford, após a final da Eurocopa.

”O que aconteceu após a final fora do estádio e nas redes sociais é absolutamente inaceitável. Os ataques racistas nas redes sociais destacaram dois pontos: trata-se da cor da pele, não da nacionalidade, e não basta punir vezes por episódios de racismo no estádio, pois esses episódios agora estão acontecendo também nas redes sociais”.

O resultado da pesquisa comprovou que jogadores não brancos melhoraram, em média, 1,2% de seu desempenho nos jogos sem a presença de torcedores. De acordo com o estudo, foi apresentado um padrão: quanto mais escura a cor da pele, melhor a atuação quando não houve presença de público. Por outro lado, jogadores brancos registraram uma queda na curva de qualidade, em tempos pandêmicos.

Foto: Christopher Furlong/Getty Images

Para definir esta variação, Fabrizio Colella utilizou a Escala de Fitzpatrick, um método dermatológico que classifica núcleos e tons da pele humana de forma numérica. Além disso, foram testadas outras variáveis, como a nacionalidade, a qualidade das equipes e o ”fator casa”, mas, em todos os casos, a cor da pele continuou sendo relevante no desempenho.

Questionado sobre qual seria a motivação da pesquisa, Colella afirmou que já observava um padrão de comportamentos racistas na liga italiana.

”Também sou fã de futebol e sei que comportamento racistas por parte dos torcedores não são tão raros na Série A. Lembro-me que uma vez Balotelli parou de jogar e arremessou a bola na direção dos torcedores para reclamar de seus contínuos insultos por conta da cor de sua pele. Portanto, eu disse a mim mesmo: “Vamos ver se episódios de racismo realmente afetam o desempenho do jogador”.

Perguntado sobre as respostas obtidas, o pesquisador afirmou não estar surpreso com os resultados.

”O resultado não me surpreende. Comecei este estudo motivado pelos episódios encontrados de racismo na Série A, mas não são os únicos casos. Houve episódios de discriminação racial também em outros lugares. No entanto, tenho a impressão que o nível de consciência do problema é maior nas outras ligas”, concluiu.