Domènec Torrent afirma não ter tido apoio da diretoria do Flamengo

Foto: Alexandre Vidal / Flamengo

Foto: Alexandre Vidal / Flamengo

Domènec Torrent, que foi demitido do Flamengo em novembro de 2020, resolveu abrir o jogo, pela primeira vez, sobre sua passagem pelo clube carioca.

Em uma entrevista dada ao site “GE”, o técnico espanhol falou sobre sua decepção com a diretoria do Flamengo. Ele foi demitido em um momento muito delicado: após duas goleadas sofridas no Campeonato Brasileiro para São Paulo e Atlético-MG. Contudo, naquele momento o Flamengo ainda disputava Libertadores e Copa do Brasil também.

Dome afirmou que sempre teve um bom relacionamento com os jogadores e que sua passagem pelo Brasil foi bastante feliz, apesar dos problemas com a diretoria do clube.

“Fui muito feliz trabalhando no Flamengo, por causa dos jogadores. Nenhum me decepcionou. Apesar do que a imprensa diz, nunca briguei com ninguém. Fui muito feliz com as pessoas nas ruas no dia a dia. Quando fomos dispensados, as pessoas que eu encontrava no supermercado, era eu que ia estava sozinho aí, em restaurantes ou quando passeava de bicicleta, todos me apoiavam, me incentivavam”, disse Dome.

“Mas a sensação que eu tinha desde o início, e comentava como a equipe, quando liderávamos havia várias rodadas, que, com a primeira partida que perdêssemos, estaríamos fora. Por quê? Pela sensação que eu tinha lá dentro. Nunca senti apoio de verdade. Os jogadores me apoiavam”.

O técnico também declarou que não era autorizado a dar entrevistas e por isso pouco falou à impressa:

“Não me deixavam falar… Tem uma pessoa que me assessora em tudo relacionado à imprensa. Eu tinha feito contato com jornalistas argentinos, nem sequer europeus, e, quando falava com a Comunicação do Flamengo, diziam que não era o momento. Tenho certeza de que, se pudesse explicar à imprensa, principalmente a brasileira, poderiam entender que esse jogo posicional, tão famoso e que preocupava a tantos jornalistas, não sei por que, já que Sampaoli joga assim há três anos, e muito bem por sinal, que era o que queríamos fazer, porque queríamos jogar com os jovens, eu queria me abrir com as pessoas para verem que sou uma pessoa muito normal. Com certeza, no dia a dia, teriam me conhecido melhor, e todo mundo teria me entendido, teríamos nos entendido muito melhor.”

Dome comentou sobre não ser característica dos clubes brasileiros aproveitar melhor as categorias de base. “Quando eu disse que meu sonho era jogar com 50% da base em dois anos… Agora sei que no Brasil isso é quase impossível, por melhores que sejam, mas eu tenho a mentalidade europeia. Eu penso que, se você traz um jogador de fora, tem que ser muito melhor do que o que tem em casa. E, em casa, encontrei jogadores muito bons.”

O ex treinador do Flamengo também criticou o imediatismo do futebol brasileiro em relação a mudança de técnicos. “A cada 3 ou 4 meses, infelizmente, os treinadores são trocados. É impossível fazer um bom trabalho assim.” Mas apesar disso, ele não descarta a hipótese de voltar a treinar no Brasil: “A parte negativa do que vivemos no Brasil não passa de 5%, 95% foram maravilhosos para nós. Aliás, cogitamos voltar ao Brasileirão, porque adoramos esse campeonato. Os campos são organizados, há jogadores espetaculares no Brasileirão, e temos a intenção de voltar.”

Domènec Torrent lamentou que o Flamengo tenha muitos problemas internos que atrapalham todo o desenvolvimento do clube. Ele afirmou que, enquanto houverem esses problemas, independente do técnico que esteja lá, a situação não irá mudar. “Então foi isso que sentimos desde o primeiro dia, porque sabíamos que muita gente lá dentro não nos queria. Sabíamos. Acho que todo mundo que trabalha no Flamengo sabe o que acontece lá.”

“Muitas vezes eu sentia que, quando perdíamos, alguém lá de dentro ficava feliz, era o que eu sentia. Minha equipe e eu tínhamos essa sensação. Então era muito complicado trabalhar assim”, lamentou Domènec Torrent, afirmando que nunca sentiu apoio da diretoria do clube.

O técnico espanhol ainda tem contrato em vigência e negocia, desde novembro, o pagamento da multa rescisória. Ele foi demitido do Flamengo com aproveitamento de 63,8% em 26 jogos.

Foto: Alexandre Vidal / Flamengo.

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