Fluminense adere à campanha antirracista

Com as redes sociais ainda em efervescência após o anúncio do retorno do atacante Fred Guedes, o Fluminense aderiu nesta segunda-feira à campanha antirracista “Vidas Negras Importam”, que originalmente surgiu em Minneápolis (EUA) com a morte de George Floyd por um policial há uma semana.


Junto da publicação do card, o clube acrescentou na legenda uma das frases mais famosas da ativista Viola Davis: “Numa sociedade racista não basta não ser racista. É preciso ser antirracista”. O Tricolor das Laranjeiras foi o segundo clube dos quatro grandes do RJ a aderir a campanha. Além do Fluminense, Vasco e Flamengo demonstraram apoio ao movimento.


O posicionamento do clube já era esperado após um domingo de protestos pró-democracia conduzidos por torcidas organizadas do Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo, que originou em um movimento antifacista nas redes sociais que promete tomar as ruas no próximo domingo. Durante a movimentação muitos torcedores levantaram a bandeira da campanha internacional.


Esta não é a primeira vez que o Fluminense adere à campanhas nacionais e internacionais pautadas nos Direitos Humanos. Em novembro do ano passado, no Dia da Consciência Negra, o clube produziu um material explicando de onde surgiu o termo “pó-de-arroz”, expressão que por muito tempo perseguiu o clube como sendo racista. Mulheres e LGBTQI+ também já foram pautas de campanhas e produções do clube que se intitula como “Time de Todos”.


Apoio dos atletas


A campanha “Vidas Negras Importam” também ganhou a adesão de jogadores do clube. O lateral Igor Julião publicou no Twitter na manhã desta segunda-feira alguns questionamentos. “Já parou de tratar as religiões de matriz africanas de forma pejorativa?”, dizia uma das perguntas. Ontem, durante os protestos pró-democracia que reuniu torcedores rivais, o atleta publicou: “O futebol continua sendo o esporte do povo”.


Na publicação sobre a campanha antirracista outros jogadores do Fluminense também comentaram em apoio como Nene, Hudson e Gilberto.


Movimentos que se misturam


No Brasil, a adesão à campanha internacional se mistura à reação da população aos atos do Governo do Brasil. O que motivou a ida de torcedores às ruas foi uma resposta aos protestos antidemocráticos que de forma recorrente têm apoio do presidente Jair Bolsonaro.


Outras mortes de pessoas negras inocentes também têm revoltado a população, como o caso do menino João Pedro, de 14 anos, morto em casa durante uma operação da Polícia Federal e da Polícia Civil no Morro do Salgueiro, no Rio de Janeiro.

Foto de Capa: Reprodução/Fluminense FC