Marcão ressalta importância da luta antirracista no futebol
Guiado por uma batalha incansável, neste 20 de novembro, o Dia da Consciência Negra, o técnico do Fluminense, Marcão, um dos dois negros entre 20 treinadores na Série A do Campeonato Brasileiro, ovaciona seus ídolos e agradece às oportunidades que o clube das Laranjeiras lhe proporcionou.
Para o treinador, descolar o futebol da sociedade é fechar os olhos para uma realidade dura. Isso, na opinião de Marcão, ajuda a explicar a pouca presença de treinadores negros na elite do esporte brasileiro. Hoje, somente 10% dos técnicos do Brasileirão são negros.
– Não era para ser assim. Hoje na Série A estamos eu e Jair (Ventura, técnico do Juventude). Mas a gente sabe que há muitos outros muito capacitados que poderiam estar sentados nestas mesmas cadeiras que nós. Mas a gente sempre fala que é um reflexo da nossa sociedade. No país do futebol, onde a maior parte é negra, a gente ainda tem que a todo momento reforçar e viver isso. No futebol, por ser uma paixão, o esporte mais praticado no país, acaba refletindo o que acontece na sociedade. Mas a gente continua lutando. Para mim eu acho que fica mais fácil, pois estamos falando de Fluminense, um clube onde fui praticamente criado, moldado. Desde a época que cheguei como jogador fui muito bem recebido e hoje como treinador eu sento em uma cadeira muito importante, de um clube gigantesco. E acabo sendo exemplo em todas as lutas, em todos os temas. E hoje, falando de racismo, o Fluminense mais uma vez dá o exemplo e novamente sai na frente – disse Marcão.
A luta de Marcão e dos negros no futebol brasileiro tem ganhado força nos últimos anos, com ações cada vez mais concretas. Este movimento, aliás, inspira o treinador a seguir firme na batalha e com esperança de, um dia, ver um cenário de real igualdade na sociedade.
– Temos visto alguns movimentos. Há algum tempo se alguma pessoa viesse me ferir, as outras pessoas ficariam olhando para mim para saber a minha reação, ao invés de repreender a pessoa racista. E hoje o movimento antirracista tem crescido e a gente tem acompanhado. Mas tem crescido porque os nossos dirigentes, as pessoas que comandam os clubes, têm entendido o movimento e ajudado. Respeito muito o meu clube por isso. É um clube que está à frente, defendendo essa e outras causas importantes. E isso também vira exemplo para outros clubes. Em 2019 fizemos uma ação em uma partida contra o Bahia, quando o técnico deles era o Roger Machado, que esteve aqui conosco. E vejo outros clubes também se movimentando neste sentido. Esse é o caminho que deve ser seguido – afirmou o comandante tricolor.
E se hoje Marcão é voz importante nesta luta antirracista é porque, no passado teve e no presente tem em quem se inspirar. Seus ídolos refletem sua personalidade e sua garra em persistir por um mundo melhor e mais justo. Quando novo, recém-chegado ao Fluminense, compartilhou a idolatria de toda torcida tricolor por Assis, de quem guarda grandes recordações e o sentimento de privilégio por ter conhecido.
