Mongólia, o céu azul e os corações estão cada vez mais abertos ao futebol

Foto: Charly Triballeau/AFP.

As práticas esportivas mais tradicionais na Mongólia são a luta livre, arco e flecha e corrida de cavalos (remonta aos tempos de nômades), entretanto tem um querendo ganhar espaço a cada ano e ele se chama futebol. O país é conhecido como “a terra do eterno céu”, pois em 250 dias ele aparece com certa força, contudo no restante do ano predomina a neve que impossibilita a prática plena do esporte. Ulaanbaatar tem o recorde de capital mais fria do mundo e os jogadores acabam se utilizando do futsal para adquirir novas habilidades.

“O frio geralmente dura de cinco a seis meses e temos que ser adaptáveis ​​para desenvolver o jogo, vamos para o jogo de cinco. Não há como jogar ao ar livre quando as temperaturas chegam a 40 graus centígrados, então treinar e jogar em quadra pode nos ajudar a ter sucesso no futsal” – definiu um funcionário da Federação. Inclusive na Qualificação para o Campeonato Asiático sub-19 de 2018, uma frente fria na capital do país dificultou até visualizar a bola no jogo, mesmo assim a Arábia Saudita se sagrou campeã.

Sua história é bem recente, por causa que a sua seleção é 1956 e somente três anos depois se criou a Federação do país após décadas de ostracismo, somente 1998 que houve a filiação a AFC e a FIFA. Sendo que a evolução começou a partir das disputas nas Eliminatórias da Copa do Mundo da Coreia do Sul e Japão (2002), em 2011 aconteceu sua primeira vitória continental, 1 a 0 contra Myanmar, vale ressaltar que esse resultado também já ocorreu no ano de 2019 na fase de grupos.

Inclusive, antes desse segundo triunfo acontecer, a Mongólia eliminou Brunei e enfim conseguiu chegar no próximo estágio da competição. No dia 6 de junho, comandado pelo alemão Hans Michael Weiss (ex-auxiliar da China sub-20 e também esteve na seleção das Filipinas), eles venceram o seu adversário por 2 a 0 e mesmo com a derrota cinco dias depois, enfim puderam comemorar. Norjmoo Tsedenbal atualmente no Khaan Khuns-Erchim (capitão e maior artilheiro da seleção mesmo sendo zagueiro), ele foi o autor do gol da classificação.

“Foi realmente uma sensação muito boa quando nossa seleção passou da primeira fase das eliminatórias para a Copa do Mundo pela primeira vez. Para ser honesto, essas vitórias colocaram o futebol mongol em um nível totalmente diferente. As crianças mongóis costumam assistir à Premier League inglesa ou à La Liga espanhola, mas desde aquele dia eles têm seguido nosso jogo, torcendo por nós. O número de fãs de futebol está aumentando rápido” – disse o atleta em entrevista a FIFA.

Mesmo com a classificação inédita, o treinador deixou o cargo e na sequência veio o eslovaco Rastislav Božik de 43 anos (ex-auxiliar do Al Wahda, dos Emirados e da seleção da Malásia) chegou com o objetivo de pelo menos implementar um futebol melhor, mesmo que no início as dificuldades dos resultados apareçam. Nos dois jogos de 2021, foram duas derrotas: Tadjiquistão (3 a 0) e Japão (14 a 0), algo normal para quem teve pouco tempo para treinar. Os Lobos Azuis agora se concentram para fechar sua trajetória contra Quirguistão no dia 7 de junho.

“Foi realmente um período difícil para o mundo todo. Um formato de liga curta, um longo inverno e todo tipo de adversidades causadas [pela pandemia] dificultaram muito a nossa preparação. É uma honra treinar uma seleção nacional, especialmente para mim na Mongólia. Agora minhas tarefas são tomar decisões de seleção e preparar uma estratégia adequada para a seleção principal. Agradeço a fé em mim” – afirmou o treinador que terá uma sequência para trabalhar todas as deficiências no elenco.

Pois, a Federação de Futebol da Mongólia busca evoluir nesses pontos: Maximizar o desenvolvimento do núcleo (base, juventude, mulheres, futsal, seleções nacionais), aumentar o crescimento sustentável, capacitação (desenvolvimento de recursos humanos do MFF, cursos para treinadores, academia de arbitragem), melhorar a infraestrutura (instalações e equipamentos, campos artificiais, mini-campos), desenvolvimento fundamental (clubes, ligas, FAs regionais) e Conscientização e engajamento público (Marketing, patrocínio, parceria com a mídia, etc).