CBF contrata mulheres para gestão do futebol feminino e faz história

Em um período de reformulação no futebol feminino, a CBF deu um grande passo em busca da igualdade de gênero no esporte. Em um projeto a longo prazo, a instituição quer alavancar a modalidade feminina no Brasil, tendo como principal mudança a contratação de Emily Lima, ex-técnica, e Pia Sundhage, atual comandante da Seleção Brasileira, sendo as duas primeiras treinadoras mulheres no comando da equipe nacional.

O último grande movimento da CBF em relação ao projeto foi o anúncio de duas mulheres em cargos fortes da modalidade. Aline Pellegrino se tornou a nova coordenadora das Competições Femininas enquanto Duda Luizelli assume a Coordenação da Seleção Brasileira Feminina. Segundo Giovana Capucim e Silva, pesquisadora da USP, a mudança só funcionará se a instituição “der os recursos que as executivas precisam para fazer o projeto funcionar”.

A contratação de Emily para o comando técnico foi uma das primeiras movimentações para o projeto, mas após uma sequência de empates, a treinadora caiu, sendo substituída por Vadão. Apesar do começo difícil com a iniciativa, os sinais de mudança se mostram mais fortes após o discurso de Marta, em eliminação da seleção na Copa do Mundo de 2019 para a França.

Marta em entrevista após o jogo, disse: “Valorize! A gente pede tanto, pede apoio, mas a gente também precisa valorizar. A gente está sorrindo aqui e acho que é esse o primordial, ter que chorar no começo para sorrir no fim.” A brasileira cobrou um posicionamento tanto de executivos quanto das mulheres que desejam uma carreira no futebol. Continuou: “Quando digo isso é querer mais, treinar mais, estar pronta para jogar 90 e mais 30 minutos e mais quantos minutos forem necessários. É isso que peço para as meninas.” 
O ano da Copa do Mundo foi marcante e decisivo para o futebol feminino, que contou com recordes de audiência na televisão brasileira e mostrou a grande disparidade em comparação à divisão masculina do futebol. Com a regra implantada pela CBF neste mesmo ano, que implica que todos os times da Série A masculina mantenham um time feminino, com categorias de base, os clubes demonstraram uma atenção maior ao futebol feminino, alavancando o projeto instaurado pela confederação.

Foto de capa: Getty Images

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