Kick4Life FC é o primeiro clube de futebol de alto nível a igualar salários entre homens e mulheres

O Kick4Life FC, de Lesoto, se tornou o primeiro clube de futebol de alto nível a anunciar orçamentos iguais para as equipes masculina e feminina. Essa mudança acontecerá a partir da temporada 2020/21. Localizada na capital Maseru, a Kick4Life afirmou que a pandemia de coronavírus os ajudou a tomar sua decisão comercial mais importante até agora: a paridade salarial de gênero.

O CEO e co-fundador do clube, Steve Fleming, em entrevista para BBC Sport Africa, afirmou que a pandemia do coronavírus e o impacto que ela teve na violência de gênero no país influenciaram a tomada de decisão. “Houve um aumento significativo e realmente sentimos que era urgente afirmar que acreditamos na igualdade de homens e mulheres em campo e fora dele, e isso envia uma mensagem poderosa”.

A técnica da equipe feminina, Puky Ramokoatsi, disse que a mudança para pagar salários iguais à equipe masculina e feminina seria vista como um grande impulso para a luta feminina pela igualdade no futebol.”Sinto-me muito orgulhoso por fazer parte do primeiro clube de primeira classe a ter um investimento igual em gênero” afirmou ela à BBC Sport Africa.

A equipe masculina do Kick4Life atualmente compete na Econet Premier League do Lesoto. Já a equipe feminina na Super League do Lesoto. Essas são as principais divisões da Associação de Futebol do Lesoto.

Inspiração para outros times

A decisão do clube será uma inspiração para comunidade do futebol no país e em todo o mundo. A atitude do clube desafiou a discriminação de gênero e contribuiu para o empoderamento de mulheres e meninas.

De acordo com um estudo global publicado pela BBC Sport, 83% dos esportes pagam a quantia equivalente em dinheiro para homens e mulheres. No entanto, o futebol ainda está dentro dos 17% que ainda mostram lacunas.

No Brasil, infelizmente, a realidade do futebol feminino está longe de ser parecida com a do masculino. Aqui, as mulheres lutam por salários justos, por melhores condições de trabalho, por um calendário fixo de competições e principalmente pela sua profissionalização. O modo como muitos clubes brasileiros tratam o futebol feminino atrasa o desenvolvimento da modalidade por aqui.

A pandemia do coronavírus evidenciou a discrepância entre o futebol feminino e masculino, principalmente nas tomadas de decisão quanto aos salários dos atletas. Essa semana o Grêmio anunciou a manutenção da folha salarial do time masculino, dividindo o pagamento para os próximo anos. Entretanto, o feminino não teve tanta sorte e sofreu redução nos salários. A atleta mais “cara” para clube gaúcho recebe cerca de R$ 6.500,00.

“Se podemos fazer isso no Kick4Life, no Lesoto, na Premier League, por que não podemos fazer isso em outros lugares do mundo e mudar o futebol para melhor?”, questiona Steve Fleming.

Créditos das fotos: Divulgação Kick4Life FC