Futebol Sul-Americano

Para sempre, Diego Maradona

Hoje não é um dia de comemoração, longe disso, um dos maiores jogadores da história, quicá o maior, nos deixa após 60 anos de vida. Diego Armando Maradona, nascido em Villa Fiorito, por uma parada cardiorrespiratória, morre no mesmo dia que seu eterno companheiro Fidel Castro se despediu há quatro anos.

Diego Maradona fez seis décadas de vida no dia 30 de outubro. Mas, por alguma razão, algum sinal divino, parecia que aquele seria seu último aniversário. A aparição final de Dios em público foi na prévia de uma partida do Ginmasia y Esgrima, clube que era treinado por ele. Diego não parecia bem e realmente não estava. Na semana seguinte, foi hospitalizado, passou por cirurgia e teve alta.

Em 2020, nos acostumamos as desgraças: a pandemia de coronavírus, as mortes, os desastres, os apagões, as derrubadas de governo e tantas outras. Quase no apagar das luzes do ano, mais uma. Numa tarde de quarta-feira, em sua casa, Diego e sua canhota nos deixam para sempre. Ou talvez não, porque deuses nunca morrem.

Maradona é cultura latino-americana em seu estado quase puro. Nasceu pobre, cresceu, sobreviveu, enfrentou as adversidades, encantou a todos e fez que o coro “Marado, Marado” ou “Diego! Diego!” fosse ecoado pelos estádios e pelas ruas. O mais humano dos deuses tinha uma esquerda impecável, una zurda inmortal. Esquerda também era sua posição política. Seus ídolos e companheiros eram Fidel Castro, Ernesto ‘Che’ Guevara, Evo Morales, Nicolás Maduro, Lula…

Como mesmo assumiu na sua partida homenagem, ele se equivocou e pagou, mas a pelota no se mancha. Também declarou que o futebol é o esporte mais lindo do mundo. Diego, você não manchou o futebol. Quando ousam dizer que aquele primeiro gol contra a Inglaterra em 1986 foi irregular (e foi!), tem que lembrar o que você fez minutos depois. Driblou todos os inimigos e fez o gol do século.

Uma pena que você não pode viver um século, Diego. Uma lástima que seus vícios te impedissem de fazer mais. As drogas e o álcool não deixaram você viver muito mais tempo. Porém, todos os Diegos que têm esse nome por sua causa levam um pouco de ti. Nunca será esquecido, Pibe de Oro. Você agora não está mais aqui, está aí com uma parte de seus companheiros.

Podem haver outros Diegos, milhões de outros Maradonas, mas somente um foi você, Diego Armando Maradona Franco. Descanse em paz, Dieguito, para sempre.

Gabriel Neri

Amante de uma boa retranca uruguaia enquanto escuto uma MPB tomando uma cerveja argentina. Valorize o nosso.

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