Galera Santástica

Aos queridíssimos Francisco, Mário e Argemiro

Já ganhei muitos presentes ao longo dos meus poucos anos de vida. Alguns gostei mais do que outros – coisa normal, acontece com todo mundo. Mas, de todos estes, apenas um eu amei. Amei não, amo. E amo tanto que, justo eu, sempre amiga das palavras, não as encontro quando o assunto é descrevê-lo. Por quê? Ah, ele é incrível. Seu tamanho é imensurável e sua preciosidade não pode ser medida. A beleza? Essa não preciso explicar. Basta olhar para suas cores, tão sutis e nobres, que você entende o que quero dizer. É de tirar o fôlego.

Engraçado que eu nem tive o prazer de conhecê-los e muito menos de agradecer, pois este presente foram vocês que me deram, há exatos 104 anos atrás. Não, eu não existia. Acredito que a maior parte dos outros tantos que atualmente desfrutam dessa dádiva também não. Mas, ao criar o Santos Futebol Clube, vocês geraram não só um time de futebol, mas a minha vida e a de outros milhões espalhados pelo mundo. Todos nascemos, naquela tarde, das palmas de suas mãos.

Eu sei, eu sei, parece impossível para alguns. A maioria pode até se assustar com a minha afirmação. Mas quem sente, sabe. Sabe que esse amor que nutrimos pelo Santos ultrapassa a compreensão humana. Sabe que é graças a vocês que, hoje, nossas vidas têm sentido. De uma conversa descontraída surgiu o maior de todos os tempos. Vocês não imaginavam que um dia o Santos chegaria onde chegou, não é mesmo? Que aquela camisa branca, bordada com todo cuidado, teria tanto peso? Uma ideia louca, sem muito futuro, que mudou para sempre a história do futebol brasileiro e mundial.

Coincidentemente, no mesmo 14 de abril o Titanic afundou. Talvez porque não houvesse espaço para dois gigantes do mar em um só planeta e nenhum foi, é ou será maior que aquele concebido por vocês. Grandioso o suficiente para revelar o maior jogador de todos os tempos. Grandioso a ponto de parar uma guerra que perdurava há mais de dois anos. Coisa de quem nasceu predestinado à glória. Até mesmo o solo de sua casa é mágico, sagrado eu diria. Dali saíram jóias raríssimas, lapidadas por suas mãos e reveladas ao mundo. Terra natal do futebol-arte.  “De um passado e um presente só de glórias”, como diz o hino.

Queria que estivessem aqui para vê-lo no dia de hoje. Mesmo 104 anos depois, continua um menino. E podem vir outros 100, 200, 300. Sempre será o nosso menino da Vila. Nunca precisou cair para se reerguer. Nunca abaixou a cabeça diante das dificuldades e muito menos desistiu. Nunca precisou provar sua imensidão para ninguém. Seus títulos são incontáveis. Suas vitórias continuam constantes. Teve altos e baixos, mas sempre voltou ao lugar que é dele por direito: o topo. Dentre suas muitas conquistas, meu coração talvez seja a menor delas, mas é sincero e totalmente dedicado.

Por fim, deixo aqui o meu muito obrigado. Pela história, que um dia vocês começaram e jamais acabará. Essa história deu origem a muitas outras tão bonitas quanto, e tão infinitas também.  Graças ao Santos, e consequentemente a vocês, eu vivi os melhores e mais felizes dias de minha vida. Alguns de lágrimas e dor, claro, mas nada que não fosse compensado depois. Quem é santista sabe: nossos triunfos são bem maiores que nossas derrotas. E, para encerrar, parabeniza-los pelo dia de hoje. Parabenizar-nos. Todos nós. Crianças, jovens, adultos, idosos… Todos celebramos esse dia pois, juntos, somos o Santos Futebol Clube. Comemorem daí que daqui faremos festa. É um orgulho que só nós podemos ter.

Hadassah Zucoloto

Estudante de jornalismo, 20 anos, santista fanática e apaixonada por futebol.

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