Sorriso
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Entrevista com Sorriso, zagueira do Internacional

Ingrid de Paula Silva, também conhecida como Sorriso, é natural de São Paulo. Nascida em 10 de novembro de 1994, tem 25 anos e atua na posição de zagueira. Com passagem pelo 3B da Amazônia, hoje Sorriso é atleta do Internacional

 

1- Como surgiu o futebol na tua vida? E de onde veio o desejo de jogar profissionalmente? Como foi o seu início no esporte?

R: Então, o futebol surgiu desde criança na minha vida. Com 5 anos já estava jogando, brincando com meu irmão, pai, primos nas quadras, na rua até mesmo em casa. Ficava brincando, meu brinquedo era a bola. Com 6 anos, fui para o Tiger Lusa “Portuguesa” jogar futsal com o Wagner, que era o treinador na época. Então, ali foi meu primeiro clube em si, onde iniciei e aprendi muitas coisas. Já o meu primeiro clube no campo foi o Centro Olímpico em 2008, onde realmente comecei a jogar campo.

 

2- Chegaste ao Internacional em 2018. Como está sendo a sua trajetória vestindo a camisa colorada? O que mais te impressionou sobre o clube?

R: Minha trajetória está sendo boa e estou muito feliz em poder representar esse grande clube. Eu me impressiono com o profissionalismo que o clube tem pelo futebol feminino, o apoio da torcida e a história linda que tem. E quero deixar meu nome escrito na história desse clube, como já conquistei em um título pelo Campeonato Gaúcho e um da Taça Encantado. Mas almejo títulos maiores, como um Brasileiro e quem sabe uma Libertadores.

 

3- Ano passado, as Gurias Coloradas disputaram o Brasileirão A1, queria que comentasse sobre a preparação do time para esse campeonato, já que a equipe inicialmente iria disputar o A2.

R: A preparação continuou a mesma, o profissionalismo e o foco manteve, acho que o elenco estava preparado para o que viesse, tanto para jogar a A2 ou como se fosse jogar A1. Acho que nós, atletas, precisamos estar preparadas para qualquer momento que vier e nós mostramos isso no decorrer da competição.

 
Foto: SC Internacional.
 

4- Na conquista do Gauchão de 2019, as Gurias Colorada tiveram uma campanha impecável e definiram o título em um clássico Grenal. Como foi trajetória até a final? E o que significou o título para o ti e para o grupo?

R: Acredito que mantemos a seriedade e o foco no trabalho, traçamos o objetivo e, graças a Deus, conseguimos conquistar. Grenal é Grenal. É uma sensação única. Só quem jogou sabe e ainda conquistar um título dessa forma, com um clássico tem um sabor diferente. Significou tanto para mim, que até tatuei a taça e a data que essa final ocorreu.

 

5- Em relação ao apoio ao futebol feminino, na visão da atleta, acreditas que já houve mudança desde que começaste a carreira? E o que ainda precisa ser feito para o esporte ser mais valorizado pelo público?

R: Na minha visão, mudou muito. Lembro de quando comecei a jogar, que tinha que tirar dinheiro de onde a minha família já não tinha. Foi difícil, mas tive o apoio deles. E se hoje estou aqui, agradeço a Deus primeiramente e depois a minha família, que me apoiou e acreditou no meu potencial. Antes eu tirava do bolso pra pagar condução para ir aos treinos no começo, ganhava um lanchinho e era o suficiente. Hoje, já vejo clubes com times de bases, que já têm seu salário, têm alimentação, alojamento. Então vejo uma grande evolução. Pode melhorar nas divulgações, até mesmo transmitir os jogos em canais abertos, como no momento está sendo feito. Mas poderia passar mais jogos e realmente o mundo abraçar a causa pelo futebol feminino, valorizar tanto como eles fazem com o masculino.

 
Foto: SC Internacional.
 

6- A principal função do zagueira é a marcação, no entanto, além da parte defensiva, precisa se preocupar em ser ofensiva. Comente sobre o modo de treinamento para esta posição. E também fale um pouco das suas características como jogadora.

R: Creio que zagueira tem que ser um pouco completa, saber defender e atacar quando é preciso. Precisamos ter boa leitura, fazer os balanços necessários, coberturas, ter o tempo de bola, saber sair e até mesmo temporizar em alguns momentos que o jogo pede. Minhas características são a marcação, leitura e tomada de decisão. Não digo que sou a mais alta, porque não sou realmente. Mas isso não me preocupa, porque tenho uma boa impulsão quando para tirar e quando vou para área. No momento ofensivo, às vezes, sai algum golzinho de cabeça.

 

7- Tens alguma inspiração no mundo do futebol? E quem são as tuas referências na tua posição? E por fim, quais são os teus objetivos na carreira a curto e a longo prazo?

R: Inspiração eu não tenho, mas uma atleta que admiro é a Formiga, por tudo que passou, conquistou e por ainda estar jogando em alto nível. Vendo alguns jogos, gosto muito do Víctor Cuesta, Virgil van Dijk, Gil e a Wendie Renard. Meu objetivo é almejar grandes títulos, chegar a Seleção Brasileira e tenho alguns sonhos em jogar em alguns clubes fora do Brasil.

 

Créditos imagens: Internacional.