Entrevista com o goleiro Fabricio Valle, do Leixões Beach Soccer

Foto: Leixões.

Destaque em uma competição regional, aposentadoria de três anos, retorno às quadras, títulos na Europa, destaque em campeonatos nacionais, esse enredo aparentemente parece ser de um atleta em fim de carreira, mas se engana quem pensa que o nosso entrevistado de hoje está perto de pendurar as luvas.

Com apenas 23 anos e muita bagagem em sua carreira o goleiro de Beach Soccer, Fabricio Valle vem despontando no cenário nacional e internacional e começa a ser um dos atletas cotados a ter chance na Seleção Brasileira após a troca de treinador e um possível processo de reformulação.

Nascido em Galinhos, cidade turística de Rio Grande do Norte, o jovem arqueiro começou sua carreira muito novo, conseguindo ser destaque em competições regionais tendo apenas 16 anos, mas vamos dar espaço para o nosso entrevistado se apresentar.

 

1- Seja bem vindo, Fabricio, fale um pouco sobre você e do inicio da sua trajetória no esporte?

R: Olá para todos que acompanham o Mercado do Futebol, meu nome é Fabrício Valle, tenho 23 anos e sou nascido em Galinhos/RN. Atualmente sou goleiro do Leixões, em Portugal, e disputei o último brasileiro pelo Aruc/DF, alcançando o 5º lugar, além do vice-campeonato da Etapa Sul/ Sudeste e Centro-Oeste, tendo sido eleito o melhor goleiro da competição. Minha cidade é uma cidade onde o esporte mais forte é o Beach Soccer, então todos costumam começar a jogar cedo, porém creio que comecei a jogar o adulto cedo demais, com apenas 12 anos, sendo goleiro reserva, lá tive a oportunidade de jogar e conquistar títulos, mas aos 15 anos veio uma oportunidade para eu ter mais chances de jogar por uma equipe chamada PSV, equipe tradicional em minha ci dade e que ao fim da temporada fui eleito melhor goleiro da competição. Após esse campeonato fui convidado para defender o Navegantes, maior equipe da minha região, equipe que eu era torcedor e não pensei duas vezes para aceitar o convite. Creio que esse tenha sido o meu inicio na modalidade, muita coisa, muito detalhe, mas creio que o principal tenha sido isso.

 

2- Pelo Navegantes aconteceu algo que te marcou e quase fez você desistir do Beach Soccer, você pode nos contar o que aconteceu?

R: Fiz uma primeira temporada muito boa, junto aos Navegantes, inclusive fui convidado a jogar a Copa do Nordeste pelo Assú/RN e fomos vice-campeões, imagina tudo isso com apenas 16 anos. Porém na minha segunda temporada acabei engravidando minha ex-mulher, com isso veio toda responsabilidade de um homem, trabalhar, ajudar em casa, não conseguia mais treinar como antes e como qualquer atleta caí de rendimento. A equipe queria ir atrás do meu maior rival para disputa de vaga pela seleção de Galinhos, coisa que eu não aprovei e inclusive busquei goleiros de outros municípios para revezar a posição comigo, mas a diretoria optou em trazer o goleiro com quem eu disputava vaga na seleção e eu acabei optando em deixar a equipe.

 

Foto: Nilton Brito/NB Photopress.
 

3- E você acabou se aposentando por um tempo, como aconteceu isso?

R: Com a minha saída dos Navegantes eu acabei ficando ainda mais desmotivado, ninguém realmente sabe por tudo que a gente passa, juntando isso a família, trabalho, cansaço, eu acabei parando de jogar e deixando o futebol de lado. Com o passar do tempo eu recebi um convite de um amigo, Miguel Júnior (inclusive, obrigado por não desistir de mim), para jogar o Campeonato Alagoano, a obra que eu trabalhava tinha acabado e eu tive 20 dias pra me preparar e ele sempre ao meu lado e incentivando, voltamos para Galinhos como vice-campeões, mas como uma sensação de dever cumprido e muita sede de voltar a jogar em alto nível, ali eu estava retornando ao Beach Soccer com muita vontade de vencer e provar para mim mesmo que eu poderia ir mais longe. Então, você voltou com sede e acabou recebendo esse convite para jogar em equipe de Portugal, conte para gente como foi essa experiência. Voltei a me destacar e Miguel Júnior sempre me motivou dizendo que quando tivesse alguma oportunidade ele iria tentar me ajudar, sempre jogamos juntos e confiamos muito um no outro. Em 2019 então recebi o convite para jogar pelo Salgueiros, através da indicação de Miguel, porém com a confiança de Ivo Pinto, então diretor do Salgueiros. Porém veio mais um drama, devido a alguns problemas na documentação acabei sendo deportado no aeroporto e não consegui jogar naquele ano. Porém em 2021, Ivo entrou em contato comigo para defender a equipe do Leixões (POR), o ano foi fantástico conquistando duas das três competições disputadas e acabei me tornando meio que xodó dos torcedores lá, “os adeptos são apaixonados”.

 

4- No Brasil, você foi eleito melhor goleiro da Etapa Sul/Sudeste e Centro-Oeste e mesmo com seu time ficando na fase de grupos na etapa final você foi muito elogiado a que você atribuiu esse momento?

R: São muitas coisas importante que a gente pode atribuir o momento, primeiramente o foco que conseguir manter para seguir treinando e estar preparado para a etapa, também a confiança ao professor Kleitinho (ARUC/DF), que sempre depositou toda confiança em mim junto da comissão técnica que me apoiou na minha preparação, importante citar Léo Godinho e Maikon Gonçalves, pois foram peças importantes também. E o principal, uma equipe qualificada que tinha nomes como Luís Henrique, atual camisa 8 da seleção, Anderson Dias, uma verdadeira lenda e outros grandes nomes que faziam parte dessa equipe. Eu já sabia que com essa equipe a gente ia brigar longe.

 

5- Após todo esse destaque, seu nome tem sido ventilado por uma oportunidade na seleção brasileira, você acha que já está preparado para essa oportunidade?

R: Já me sinto preparado, tenho trabalhado duro a cada ano para chegar à tão sonhada amarelinha, creio que seja o maior sonho de todo atleta de qualquer modalidade. As competições tem mostrado isso e sigo trabalhando para que quando a oportunidade for dada, poder representar da melhor forma o meu país.

 

6- Fabricio, você é tido no cenário como um cara de coração bom e que gosta muito de crianças, qual a mensagem que você tem pra deixar para essas crianças que tem esse objetivo de um dia jogar fora e ser um atleta profissional?

R: Primeiro, sejam bons filhos. Nossos pais sempre vão pensar no que é melhor pra gente e se conseguirmos sermos obedientes e bons, eles vão atrás dos nossos sonhos juntos com a gente. Segundo, nunca desista, por mais que falem de você, por mais que rirem de você, siga treinando, siga acreditando, que um dia vocês podem chegar lá! Todos nós temos sonhos e todos nós podemos alcançar, só precisamos acreditar que somos capazes, uma hora a oportunidade vai aparecer.

 

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