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O lado social, a consolidação de carreira na Europa e muito mais, o meia-atacante Isael relata em entrevista ao MF

Isael da Silva Barbosa nasceu na cidade de São Paulo no dia 13 de maio de 1988. Fostes revelado pelo Grêmio e tem passagens por Sport, Nacional da Madeira e Kairat (Cazaquistão). Atualmente está no Ferencváros, da Hungria. Conhecido e reconhecido pela habilidade no passe e ser decisivo na hora que precisa

 

1- Um esporte além do futebol? R: Basquete.

2- Música nacional ou internacional? R: Nacional.

3- Um local para viajar? R: Orlando-EUA.

4- Um momento marcante? R: Quando subi para o profissional no Grêmio.

5- Maior orgulho? R: Minha família.

6- Maior arrependimento? R: Não tenho.

7- Um filme? R: Todos da série Velozes e Furiosos.

8- Uma música? R: Revelação.

9- Comida favorita? R: Feijoada.

10- Doce ou salgado? R: Doce.

 

1) Fostes revelado no Grêmio FBPA (profissionalmente). Quais foram os principais ensinamentos da base que utiliza atualmente? Antigamente o tricolor gaúcho passava por um momento ruim sem títulos e pouco se aproveitava dos jovens, vês como positivo o fato de Luan, Éverton, Jean Pyerre entre outros conseguirem espaço entre os profissionais e se destacando no país? Poderia nos descrever as partidas onde atuou pela equipe? Tens um projeto chamado Rainha FC, em que consiste? Quais outros atletas lhe ajudam a tocar o social? O Grêmio vai ser campeão da Libertadores?

R: A base no Grêmio sempre foi muito forte e desde cedo os garotos são ensinados a levar o jogo a sério, ter espírito competitivo e vontade de vencer. Essas características eu sempre carreguei comigo. Adoro jogar, competir em alto nível e enfrentar adversários fortes. Sempre tive isso, mas acredito que a base do Grêmio contribuiu para minha formação nesse sentido. Sem dúvida, o Grêmio tem revelado ótimos talentos que estão atuando em altíssimo nível no Brasil, caso de Éverton e Luan, por exemplo, e mesmo fora do Brasil, como Arthur, do Barcelona. Investir na base, na minha opinião é fundamental, já que você tem a possibilidade de moldar os jovens atletas ao estilo de jogo do time principal. Além disso, o retorno financeiro em eventuais vendas é enorme. Joguei poucas vezes pelo Grêmio. Foram duas partidas, uma contra o Sport que marcou minha estreia, e outra contra o Santo André. Fui bem nos dois jogos, mas surgiu a possibilidade do empréstimo para o Sport e era uma proposta boa. Clube e eu entramos em consenso e fui para Recife.

R: O Rainha FC é um projeto que promove a inclusão social através do esporte para crianças e adolescentes carentes que vivem nas periferias de São Paulo, nos bairros de Ermelino Matarazzo, Campo Limpo e Pirituba. O projeto existe desde 1995 e já atendeu mais de 500 jovens. O objetivo sempre foi oferecer opções saudáveis às crianças das periferias e ensinar valores importantes, tanto para o esporte quanto para a vida, como o trabalho em equipe, pontualidade, respeitar as diferenças, lidar com a derrota, etc. Hoje, 70 crianças e adolescentes são atendidas e recebem treinamentos com profissionais, alimentação, transporte, uniformes, além de competições regulares.

R: Apesar de ser focado em oferecer alternativas aos jovens, o Rainha FC já formou diversos jogadores profissionais, entre eles: Andrew Morato (Ituano), Gustavo Carbonieri (Hajduk Split), Vinícius Fininho, (ex-jogador do Corinthians, Lokomotiv Moscou e Metalist) e Bruno Vilela (ex-jogador de São Bento e Estoril). Hoje, todos eles participam de alguma maneira, seja ajudando financeiramente ou fazendo parte da comissão técnica. Além dos atletas, temos uma diretoria e treinadores muito competentes, que se doam para proporcionar uma condição melhor para esses jovens. O Grêmio tem time para ser campeão. Manteve a base do elenco, tem um grupo forte e vencedor e fez boas contratações pontuais, caso do Diego Tardelli, por exemplo. Daí a afirmar que será campeão, acho um pouco precipitado.

2) Passou por Sport, Giresunspor (Turquia), Fortaleza e São Caetano. Tens vontade de retornar ao futebol brasileiro atualmente? Caso sim, teria time a escolher? Por quais motivos não teve maior sequência nas equipes? Poderia nos descrever seu gol com a camisa do Azulão? Como analisas o atual momento do São Caetano? Fostes muito cedo ao futebol europeu, o que faria de diferente naquela época da Turquia levando em consideração as experiências que já passou?

R: Nesse momento, não tenho vontade de voltar ao Brasil. Fiz minha carreira profissional praticamente toda no exterior e sou bastante reconhecido nos países em que atuei. Ainda tenho vontade de jogar na Europa mais uns três anos. Depois, quem sabe, voltar. Com relação a time, não tenho preferência. Tenho carinho muito grande pelo Grêmio e pelo São Caetano, mas sou profissional e preciso pensar racionalmente.

R: As coisas sempre aconteceram muito rápido na minha vida. No Brasil tive passagens breves, mas no exterior todas foram muito consolidadas. Sempre que me transferia para outro clube era um passo adiante. Foi um gol importante pra mim. Era última rodada do Paulistão e eu entrei faltando quinze minutos para acabar a partida. Na minha primeira oportunidade, dominei a bola, girei a bati forte no canto.

R: Fico triste pela atual situação do São Caetano. É um time que gosto muito. Torço para que o clube se reerga e tome um lugar de protagonismo no cenário paulista e, quem sabe, nacional. Eu não mudaria nada, minhas decisões me trouxeram onde estou e sou muito feliz com todas as escolhas que fiz. O caminho nem sempre foi fácil, mas as dificuldades ajudam a moldar caráter.

3) Tens passagens por Nacional da Madeira, FK Krasnodar (Rússia) e Kairat (Cazaquistão). Como define a sua ida ao futebol português? O Nacional tem condições de retornar a disputa de competições continentais nos próximos anos? Acreditas que o fato da Copa do Mundo de 2018 ter sido em solo russo, conseguiu alavancar o futebol em termos de qualidade no país em relação da época que atuou? Teve próximo de se naturalizar cazaque, por quais motivos não conseguistes tal situação? Como analisas a seleção do Cazaquistão em nível continental? Atuou em mais de 100 partidas pelo Kairat, com 38 gols e mais de 20 assistências, existiu algo de diferente no clube para que se destacasse? Qual das três conquistas no país foi a mais importante?

R: O futebol português é uma ótima escola para quem sai do Brasil. É uma liga competitiva e os brasileiros sofrem menos com a adaptação, especialmente da língua. O Nacional, me parece, estar em reconstrução. Tem um time jovem e com bons talentos. Em algum momento deve voltar à parte mais acima da tabela. Acredito que sim. A Liga Russa já era bastante competitiva na minha época e já vinha se reforçando, investindo em estrangeiros e aproveitando jogadores da base dos clubes. No entanto, o fato da Copa do Mundo ter sido realizada lá fez com que o mundo prestasse mais atenção ao campeonato local também. Hoje, é uma das boas ligas do mundo para jogar.

R: Minha ótima passagem pelo Kairat fez com que a Federação local me consultasse. Confesso que fiquei balançado, mas os jogadores locais são muito nacionalistas e não veem com bons olhos alguém “não cazaque” defendendo a seleção. E como eu tinha muitos companheiros de time que eram convocados, preferi não dar prosseguimento. Não tenho arrependimento nenhum da decisão e fui muito feliz por lá. Seleção está crescendo, mas ainda não está no nível da Rússia, por exemplo. Precisa continuar investindo nas bases dos clubes.

R: Minha passagem pelo Kairat foi muito marcante. Me adaptei muito rapidamente ao país, ao time e fui muito feliz por lá. O clube tem uma estrutura fantástica, de primeiro mundo, com campos, academia, centro de fisioterapia avançado e bom material humano. Durante o período que estive lá me tornei ídolo da torcida, jogador estrangeiro que mais vestiu a camisa do clube e um dos principais artilheiros. Todos os títulos que conquistei por lá foram importantes, mas vencer a Copa diante do nosso maior rival, o Astana, teve um sabor especial.

 

4) Atualmente está no Ferencváros, o atual líder húngaro com vantagem larga para o segundo. A expectativa de ser campeão nacional bate a porta dos jogadores ou deixam a comemoração antecipada para a torcida? Existem jogadores de onze nacionalidades na equipe, desde atletas europeus conhecidos como o italiano Lanzafame até sul-americanos (como o uruguaio Gorriarán). Essa sinergia entre os estilos de jogo diferentes pelo mundo ajuda na conquista de bons resultados? Existe diferença entre o futebol húngaro e o cazaque?

R: Temos que deixar a expectativa para a torcida. Mas é claro que nós jogadores também sentimos ansiedade para sermos campeões. Somos humanos. O mais importante é que estamos fazendo um ótimo campeonato e temos boas condições de sermos campeões. Sem dúvida, essa mescla de jogadores e estilos é muito importante. Cada um tem uma característica diferente e que contribuiu para o grupo em geral. O time é muito unido e focado.

R: As escolas são parecidas. Tanto na Hungria quando no Cazaquistão, o jogo é bastante físico e intenso. Diria que a Hungria está um passo a frente em termos de qualidade dos jogadores, até por estar na Europa e precisar se reforçar constantemente para ir bem no campeonato local e nas ligas europeias.

5) Uma mensagem para os colunistas e leitores do site mercadodofutebol.com?

R: Gostaria de agradecer ao Mercado do Futebol pela excelente entrevista e desejar muito sucesso para vocês e para os leitores.

 






Jean Lucas

Jornalista por formação, Geógrafo nas horas vagas, dono de um conhecimento vasto sobre o futebol, países e curiosidades que vocês somente verão em minhas matérias.

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