Opinião: Defesa do Palmeiras deixa de ser confiável e Abel Ferreira precisa se preocupar

Marcos Rocha teve atuação pífia diante do Flamengo. Imagem: Marcelo Zambrana/AGIF

Desde 2016, nas mãos de Cuca, a defesa do Palmeiras tem sido consideravelmente confiável. Mesmo com as inconsistências de desempenho durante os anos 2017 e 2019, nunca o torcedor palestrino esteve tão desconfiado da “Defesa que ninguém passa” quanto está hoje.

Os números corroboram: Athletico, Juventude e Palmeiras têm a quarta pior proteção do Campeonato Brasileiro, com 23 gols sofridos. Somente Bahia (32), Chapecoense (32) e Santos (25) possuem marcas piores. A última vez que a equipe não foi vazada foi diante do São Paulo, na Libertadores, quando venceu por 3 x 0. No nacional, isso não ocorre desde 31 de julho (!), quando o clube empatou com o mesmo rival por 0 x 0, no Morumbi.

Surpreendente é observar que a zaga alviverde conta com dois nomes fortíssimos: Weverton e Gustavo Gómez. Por outro lado, depois da saída de Viña, os companheiros naquele setor ficam abaixo desse nível. Luan, Renan, Piquerez (recém contratado, ressalta-se), Victor Luis e Mayke oscilam. Jorge pode contribuir, mas seu ponto forte é o ataque. No entanto, precisamos falar de Marcos Rocha.

O lateral direito está longe de ser um atleta desprezível. Bom tempo de bola, visão de jogo e uma técnica bem razoável. Ele, porém, é irregular e muitas vezes compromete o time. A derrota vergonhosa para o Flamengo e a partida contra o Santos n o Brasileiro evidenciam tal fato. É inconcebível mantê-lo na equipe titular considerando que Gabriel Menino, campeão olímpico em Tóquio e uma peça muito mais segura e versátil, fique no banco de reservas. Abel Ferreira deve se atentar a isso imediatamente.

Cabe pontuar que o treinador português é, talvez, o melhor do País, apesar de muitos da imprensa o desvalorizarem. Tendo em mente a cultura brasileira de queimar técnicos, essa ressalva se mostra bastante necessária.

Em suma, todo mundo — menos a equipe de Crespo — está passando pela defesa do Palmeiras, contrariando o hino do clube. O torcedor não tinha desconfiança nesse setor desde quando Marcelo Oliveira, demitido em 2016, comandava o time. Nesse sentido, Abel Ferreira há de corrigir essa situação para ontem.