O jogo entre Audax Italiano e Santos, infelizmente, o destaque negativo da partida, foi mais uma vez, os atos de racismo, que vem acontecendo nos estádios. Nas últimas semanas, o atacante Vinícius Júnior, do Real Madrid vem sofrendo sucessivos atos de racismo, o que vem chocando o mundo pela repetição dos fatos.
No jogo do Santos, o zagueiro Joaquim e o atacante Ângelo, passaram pela mesma situação. Ambos sofreram com o racismo da torcida, que xingavam e faziam gestos, o que causou a revolta dos jogadores e também de diretores do Santos.
No entanto, entre os protestos, dirigentes, o técnico Odair Hellmann e jogadores, se pronunciaram sobre os acontecidos. Ao microfone do De olho no Peixe, todos lamentam as atitudes e cobram punição da Conmebol e também da Fifa.
ODAIR HELLMANN, técnico do Santos – “Não tenho cargo no clube em que decido e tenho o poder de decidir essas coisas. Eu, no campo de jogo, sabe o que temos que fazer? Sair da partida. Que a Conmebol, que a Fifa, que a CBF busque e puna. Se não tiver punição, vai continuar. É um sofrimento histórico, irreparável. A sociedade como um todo não aceita mais. Se depender de mim, como treinador de jogo, a gente sai de campo. Eu tenho que respeitar a direção, isso não cabe a mim, mas o meu posicionamento é de tirar o time de campo.”
CAMACHO, volante do Santos – “Estamos numa semana com o caso do Vinícius. Eu não sabia disso, fiquei sabendo agora. Triste demais. Espero que ocorra alguma punição. Não dá mais.”
FÁBIO MARADEI, gerente de Comunicação do Santos – “O Ângelo ao sair do campo, foi agredido verbalmente com insultos, como ‘macaco’, gestos. O Ivonei presenciou os fatos. Ao acabar o jogo, o jogador foi até o delegado e eu estava junto com ele, e nós falamos com ele, que fosse oficializado no relatório do jogo, porque isso tem que ir para a Conmebol direto.”
“Não adianta a gente fazer notas, tem que fazer atos, pois está acontecendo direto. E ao mesmo tempo, eu estava no quarto andar, quando o Joaquim foi expulso, vimos claramente nós vimos várias pessoas misturadas aos nossos torcedores, chamando o Joaquim de “bono, bono, bono”, fazendo gestos. Devem ter câmeras, uma pena eu não ter conseguido gravar. Eu fiz a denúncia, eles colocaram no relatório e numa semana tão conturbada no mundo neste sentido, a Fifa e a Conmebol vendo, tem que se tomar uma atitude. Não é possível isso continuar acontecendo em vários lugares.”
FALCÃO, Coordenador Técnico do Santos – “As coisas não param se não tiver medidas sérias, punições severas, que não é difícil de identificar. Nós estamos falando isso, alguns dias depois do que aconteceu com o Vinícius Júnior, no Real Madrid. Alguém tem que parar com isso, e isso depende muito das instituições. A gente reclama, a gente lamenta e isso fica no nosso limite. Hoje nós tivemos que ter muita paciência com a arbitragem. São coisas que não se compara evidentemente, pois o racismo é muito mais importante, do que qualquer situação do jogo. Mas como foi uma situação que aconteceu e mudou o jogo, com a expulsão do Joaquim, quando ele é pisado no pé e nada foi feito, é complicado. No segundo lance sim, mereceu o amarelo. A arbitragem foi péssima, uma coisa lamentável.”
“O Santos fez um belo primeiro tempo, evidentemente diminuiu, quando teve 10 jogadores, aí fica difícil de jogar. Mesmo assim, o time teve uma postura muito boa no primeiro tempo. O segundo tempo foi muito mais difícil, por estar com um a menos. Sobre a arbitragem, foi lamentável, não é um juiz que apita este tipo de jogo, já nos informamos disso, pelo Pablo Rodrigo, que é uruguaio também. Não entendo esse tipo de arbitragem da Conmebol, e eu estou falando isso, depois de uma ótima atuação no primeiro tempo. Se não tivesse a interferência da arbitragem, o resultado poderia ser outro. Mais importante que isso sobre o jogo, é essa manifestação triste de novo do racismo. Ela tem que ser combatida seriamente. Não é possível você que você tenha tido no mundo, uma repercussão com o Vinícius Junior, e as pessoas repetem isso aqui, alguns dias depois. Não basta a gente ficar só falando, tem que ter punição.”