Conheça mais sobre Esmeraldo Tarquínio Neto, candidato à presidência do Santos

Nós, do Mercado do Futebol, faremos entrevista com os pré-candidatos à presidência do Santos. O intuito é conhecer um pouco mais de cada candidato, seus planos e anseios para chegar ao cargo de mandatário santista. Neste sentido, nosso entrevistado é Esmeraldo Tarquínio Neto, com vasta experiência administrativa e vida pública ativa na cidade de Santos e no estado de São Paulo. Em Santos, foi vice-prefeito e secretário municipal. Já pelo estado de São Paulo, coordenou projetos nas Secretarias Estaduais de meio Ambiente, Cultura, Administração e Educação. Pelo Santos, se firmou como um dos mais participativos do Conselho Deliberativo, onde inclusive foi presidente, e como diretor, coordenou a implantação das escolinhas Meninos da Vila e acredita na reconstrução da base, como uma das principais formas de consolidar o crescimento do time.

MF – O que te faz acreditar que você está preparado para comandar um clube do tamanho do Santos, e com quem você conta para lhe dar respaldo e suporte para gerir a instituição Santos Futebol Clube?
 
A minha relação com o clube vem desde o dia em que eu nasci. O meu pai – que foi diretor de esportes amadores, procurador e presidente do Conselho – me associou ao Santos no dia do meu nascimento. Daí, eu dizer que eu sou santista antes de ser cidadão. Então, a minha relação com o clube é inquestionável. Eu estou preparado para comandar o Santos porque eu sou conselheiro há 30 anos, fui presidente do Conselho e diretor do clube. Some-se a isso a minha experiência profissional. Todos os lugares onde trabalhei, tanto no setor público quanto no privado, me credenciam a gerir o Santos Futebol Clube com responsabilidade e bom senso. Quanto ao respaldo e suporte para a gestão, nós teremos uma equipe profissionalmente capacitada para gerir o nosso clube, cujo objetivo primordial é o da retomada da credibilidade e, consequentemente, o da recuperação da nossa imagem.
 
MF – O atual momento do clube é delicado na questão financeira, principalmente pela pandemia do novo coronavírus, fato este que deve ir até parte do próximo ano. Que ações você acha possível fazer, para que o clube sofra menos, na questão financeira, já que não tem a presença do público em campo, e tem que viver das rendas de TV, os patrocinadores e o programa Sócio Rei?
 
O momento pelo qual passamos gerou uma inegável mudança de paradigmas no comportamento da população mundial, os valores individuais e coletivos sofreram alterações que nos acompanharão para sempre. E isso também afetará o futebol como atividade e como negócio, havendo a necessidade de adequações e adaptações para que o negócio-futebol não naufrague. O equacionamento das dívidas será a ação principal e imediata a ser adotada. Desde já, nós estamos em tratativas com profissionais especializados em reestruturação de dívidas. E as do Santos são reestruturáveis de forma que instituiremos um comitê de crise, protegeremos o nosso caixa, diagnosticaremos a nossa carteira de contratos, faremos avaliação de garantias, convidaremos os credores para o início de conversações, estabelecendo assim um cronograma para o abatimento das nossas dívidas. A recomposição do departamento de marketing será fundamental para a encontrarmos um equilíbrio financeiro através de ações que possibilitem receitas extraordinárias em comparação com os pífios resultados obtidos nos últimos anos.
 
MF – A presença do público feminino nas arquibancadas é algo que sempre se tem muita reclamação, seja pelo risco de violência, ou pela estrutura que o clube oferece, principalmente vendo como os rivais da capital dão condições em suas arenas. Qual será sua ação que possa aumentar o número de mulheres nos jogos do Santos, dando segurança e conforto? Ainda sobre as mulheres, na sua gestão, elas terão espaço para participar na política do Clube?
 
Um dos principais pontos de atenção da nossa campanha é o da participação feminina direta no nosso Clube. É um fato lamentável que as condições que as mulheres encontram ao irem a Vila Belmiro sejam ruins. Além das melhorias estruturais nos banheiros femininos, no acesso de mulheres e crianças ao estádio, nós criaremos uma ouvidoria feminina, um serviço de atendimento à sócia e à torcedora, em que as mulheres que tiverem reclamações, denúncias, sugestões, opiniões e, eventualmente, elogios, poderão interagir com o clube através desse serviço. Essas mulheres serão atendidas por mulheres. E é importante ressaltar que isso não é favor nenhum feito as mulheres e sim um chamamento para que elas nos ajudem a melhorar as condições de acesso e frequência da Vila Belmiro. A iniciativa da criação desse serviço de atendimento à torcedora é um dos elementos que poderá atrair mulheres para o Estádio da Vila Belmiro. Outra iniciativa é reinvenção do ingresso-família que possibilitará o retorno de famílias – tenham o formato e composição que tiverem – para assistirem aos jogos de mando do Santos. Outro ponto a ser levado em consideração é que em 2001, quando eu me despedi da presidência do Conselho Deliberativo, no meu discurso, eu apontava a necessidade de termos nos quadros do Conselho mulheres conselheiras. De uma certa forma, isso causou reações negativas, mas também positivas. Houve conselheiros que rechaçaram a ideia, assim como outros que a apoiaram. Anos depois o conselho passou a ser composto por mulheres. Hoje, nós temos 6 conselheiras apenas. Na nossa chapa, nós teremos ao menos 10% de mulheres na nossa composição. Então como um conceito da nossa campanha, a participação feminina na gestão e na política do clube será real e vital para o futuro do clube. Além disso, há uma forte possibilidade de que mulheres integrem o comitê de gestão. E certamente diversas mulheres comporão a administração direta do Clube.
 
MF – As categorias de base do Santos sempre rendem ótimos resultados, e geram receitas com frequência, o que ajuda a manter a administração do clube, porém nos últimos anos, pouco revelou e não ganhou títulos, além de perder jogadores sem render nenhum centavo aos cofres do clube. O que você vê pode ser melhorado para que o Santos revele mais jogadores nos próximos anos e não perca jogadores sem retorno financeiro?
 
A base do Santos foi sendo desmontada nesses últimos anos. A gestão eleita em 2017 nomeou como gerente da base uma pessoa que tinha outros interesses que não o da preparação de atletas. Simultaneamente, a conhecida fábrica de raios fechou. Durante essa gestão o clube não revelou nenhum atleta. O nosso trabalho será o de reconstruir, reestruturar e recompor a base. A nossa gestão tem como um dos seus objetivos, além da preparação de atletas, a formação de cidadãos que contribuam para a evolução da sociedade. Outro tema que nos preocupa muito é o da fuga de capital. Quando o Santos contrata um atleta da base, o clube deveria ter uma participação quase que absoluta nos percentuais referentes aos direitos federativos. É preciso repensar o formato desses contratos. É claro que jogador não pode ser prejudicado na assinatura de um contrato, mas também é claro que o clube não pode ser prejudicado. Então, o que se pretende é a elaboração de modelos contratuais que compensem o atleta contratado em uma negociação futura, por exemplo. O Santos Futebol Clube não pode ser vítima nem refém de empresário de futebol. Talvez pouca gente tenha notado que há uns 4 meses atrás o Santos dispensou 20 e tantos jogadores da base com 15, 16 e 17 anos que saíram do Clube de graça. Nós estamos observando o caminho que esses atletas irão tomar para que possamos entender qual foi a forma, qual foi a motivação que levou à dispensa desses jogadores. Esse tipo de preocupação fará com que o Clube reduza em muito os prejuízos financeiros que tem sofrido. A partir daí, podem ter certeza de que a fábrica de raios voltará a funcionar.
 
MF – No Futebol Feminino, quais são os planos para dar melhores condições para a categoria? Será feito um trabalho para se ampliar categorias de base para o futebol feminino também?
 
O futebol feminino tem mostrado excelentes resultados e o Santos tem tido a sorte de montar equipes muito eficientes. Na nossa gestão, o futebol feminino terá lugar de destaque. Não apenas porque a legislação nos obriga a isso, mas, sim, porque há um enorme contingente de pessoas que gostam de assistir aos jogos das Sereias da Vila. Nós pretendemos melhorar as condições referentes ao ambiente de trabalho, material de jogo e salários. O Santos sempre trabalhará para a ampliação das categorias do futebol feminino e estimulará os outros clubes a desenvolverem alternativas para que ocorra essa ampliação, já que a CBF apoia poucas categorias além da principal, apesar do recente aumento nos campeonatos, torneios, copas e festivais disputados por mulheres, inclusive do Festival Sub-14 que está programado para dezembro.
 
MF – Uma fonte de renda importante para os clubes é o programa de sócio-torcedor. No Santos, o programa Sócio Rei atualmente tem pouco mais de 23 mil associados. Para ampliar este número e aumentar a receita, quais são os planos? O que poderá ser feito como benefício aos torcedores, a fim de aumentar a arrecadação?
 
Em 2019, o Santos arrecadou o equivalente a 12% de suas receitas com bilheterias e contribuição associativa. Portanto, é necessário aumentar esse percentual. Uma das formas, poderia ser o estudo da ampliação das categorias de sócios. Categorias com preços menores do que as que temos atualmente. Uma característica de parte da torcida do Santos é a de ser uma torcida popular. Essa parcela precisa ser reconhecida e atraída para o clube é para essa parcela de torcedores que nós também trabalharemos. No Santos tem lugar para todo mundo. Aqui não se deve discriminar ninguém. É por isso que nós implementaremos uma política de redução de preços dos ingressos de três formas: 1.  Redução do preço médio dos ingressos; 2. Redução do preço dos ingressos nos 10 dias anteriores ao 5º dia útil do mês seguinte, fazendo com que os sócios e torcedores do Santos encontrem uma pequena folga, que seja, nas suas despesas mensais; e 3.  Identificação na Vila Belmiro e, se possível, nos estádios em que o Santos tiver o mando de jogo, além da redução dos preços dos ingressos, de um setor que será identificado como o antigo setor da Geral. É preferível ter um estádio com 10 mil pessoas pagando 20 reais do que um estádio com 5 mil pessoas pagando 40 reais. É claro que para isso nós precisaremos contar com o apoio das entidades esportivas para redução do preço mínimo dos ingressos. O apoio das entidades esportivas nos leva a um outro ponto: a representação do Santos Futebol Clube junto a essas entidades. Nós vamos estabelecer um calendário de visitas semanais à Federação Paulista de Futebol, visitas quinzenais à Confederação Brasileira de futebol, visita mensal à Conmebol e, quando necessário, visitas à FIFA. O Santos, durante a nossa gestão, será bem representado e nós cumpriremos o nosso papel.
 
MF – Nos últimos anos, o Santos fez várias contratações de jogadores que não vingaram, e fortunas foram pagas, sem contar, os compromissos que foram feitos, não cumpridos, e agora geram punições da Fifa. Como você pretende lidar com esses problemas que estão acontecendo?
 
Primeiramente com uma gestão capacitada profissionalmente. Nós teremos pessoas do meio do futebol, atuando no futebol. Nenhuma iniciativa será tomada de forma tresloucada.  A nossa atenção estará voltada para as melhores soluções para o futebol do Santos. Uma das características da gestão eleita em 2017, foi a falta de seriedade e o descumprimento como regra de atuação cotidiana. Isso não acontecerá durante o período da nossa gestão. Nem que viessem com a desculpa de que não conhecem as regras e de que não conhecem os regulamentos serviria como justificativa. Para lidar com os problemas que acontecem atualmente, vamos estabelecer processos de negociação, porque de janeiro para frente, isso não se repetirá.
 
MF – A atual situação financeira do Santos é extremamente preocupante, onde inclusive o time já foi punido na Fifa, ficando banido de contratações, enquanto não acerte seus débitos. Na sua visão, como sair deste atual cenário?
 
A solução desse tema ocorrerá com a negociação direta entre o Santos e os clubes credores. A partir de janeiro, o Santos vai ter “cara nova no pedaço”, e os nossos credores, os nossos fornecedores e os nossos parceiros perceberão, claramente, que estarão lidando com gente séria.
 
MF – A reforma da Vila Belmiro é algo que vários presidentes vem com projetos e propostas e o assunto não vai adiante, quando muito, poucas melhorias são feitas no Estádio, principalmente quando o time ou a gestão está em crise. Você tem algum projeto neste sentido? Qual a sua opinião neste caso, dando a entender que a “Reforma da Vila”, volta sempre para abafar as crises e problemas maiores do time?
 
Sem dúvida nenhuma a Vila Belmiro tem sido usada  como massa de manobra ou cortina de fumaça para muitas das gestões que passaram por aqui.  A Vila precisa de adequações e reformas imediatamente. Há alguns dias, foi apresentado ao Conselho um projeto de retrofit do estádio. Até janeiro estaremos observando a evolução desse tema. A partir da eleição, teremos condições de opinar sobre o projeto. E a partir de janeiro trataremos do assunto objetivamente.
 
MF – O projeto Embaixada é uma ação de sucesso do Santos, que leva aos seus torcedores, principalmente no interior um pouco da história do clube, além de ajudar aumentar o número de sócio torcedores. O que você tem em mente para ampliar e melhorar o projeto?
 
As embaixadas dos Santos representam uma inovação estatutária e podem realmente ser muito positivas em ações conjuntas com o clube. Respeitadas as limitações impostas pelo estatuto, o clube procurará apoiar as ações das embaixadas de forma a fazer com que estas passem a contribuir para o aumento do número de sócios. O Santos desenvolverá ações no sentido de gerar uma maior integração entre as embaixadas e o próprio Clube integrando ações promovidas pelas embaixadas e estimulando outras iniciativas. No entanto, é necessário que as embaixadas compreendam o seu papel dentro da estrutura estatutária. As embaixadas precisam compreender que o clube não é inimigo delas. Muito pelo contrário. Elas não existiriam se o clube não existisse. Daí, a necessidade da compreensão do papel de cada um.
 
MF – O Santos sempre foi muito famoso por reconhecer e prestigiar seus ídolos, inclusive muitos deles, com funções no clube, nas categorias de base e na parte promocional da marca Santos, e nos últimos anos, esta ação perdeu um pouco de sua força e importância. O que você pretende fazer a respeito desta situação?
 
A gestão eleita em 2017, demoliu uma imagem que demorou décadas para ser construída. O Santos tem em seus Ídolos parte muito significativa do seu patrimônio. A história do Santos foi construída no campo. E é nosso dever mantê-la fora dele. Poucos clubes têm esta característica. Nós pretendemos reconstruir a relação entre o clube e os seus Ídolos. E essa reconstrução será feita tendo por base o respeito e o reconhecimento pelo que esses ídolos fizeram pelo nosso Clube.

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Filipe Dias

Editor do MF. Paulista de São Paulo, Mineiro de Guaxupé, fundador da GuaxuPeixe, Torcida do Santos em Guaxupé e Setorista do Santos FC.