Comparação do Vila Nova entre turnos
Inevitavelmente, o torcedor vilanovense irá comparar o time do início do primeiro turno, que rendeu grandes ilusões, com o time do segundo turno, carregado de incertezas. Comparar o mesmo elenco diante diferentes perspectivas temporais pode ser útil, na medida em que revela evoluções e regressões, mas pode ser perigoso, na medida em que pode produzir falsos resultados.
Nem sempre dados que variam com o tempo têm nexo causal com a variação ou com o tempo. É um vício que eu especulo ter sido criado na política: candidatos relacionam feitos de seu governo com dados logo após o feito e relacionam os dois semanticamente, sem ambos estarem necessariamente relacionados. Um exemplo bobo, para ilustrar: desde que eu nasci, Putin nunca perdeu uma eleição na Rússia. Obviamente, os dois eventos não estão de forma alguma relacionados. Nem sempre há nexo causal entre fenômenos ocorridos no mesmo espaço de tempo. Por isso, pode ser arriscado analisar números ou fatos secos, sem buscar explica-los da forma mais detalhada possível.
No entanto, vamos começar pelos números em si. Começando pela tabela comparativa de resultados obtidos:

O início do primeiro turno, a primeira vista, parece ser infinitamente superior. A sequência de 4 vitórias seguidas (sendo a última uma vitória sobre o rival e colocando o time na liderança do campeonato) remete o torcedor a um time que parecia invencível. Mas não é tão superior ao atual time, de tabela mais modesta. No (início do) primeiro turno, 13 pontos de 21; no segundo, 10. No primeiro turno, 8 gols; no segundo, 7. No primeiro turno, 6 gols sofridos; no segundo, 4. A defesa melhorou e o ataque está ligeiramente atrás, mas tendo em vista a seca de gols que sucederam a sétima rodada, vejo um ataque melhorado também.
Ademais, nos últimos jogos Hemerson Maria adotou uma mudança tática que parece colher frutos. No primeiro turno inteiro, predominou um 4-3-3 extremamente eficiente defensivamente, mas anêmico ofensivamente. Agora, o time joga em um 4-4-2, que se torna um 3-5-2 quanto o time ataca: Washington ou Wellington Reis descem para ajudar a zaga, os laterais Moacyr e Gastón sobem e dão amplitude para os meias Elias/Alan Mineiro, Mateus Anderson e um dos volantes, além de Alex Henrique e Lucas Braga/Vinícius Leite manterem-se adiantados. Nem sempre os dois laterais sobem, pois a defesa ficaria fragilizada. Esse modo de jogo tem se mostrado eficiente pois o Vila consegue propor o jogo quando o adversário joga mais fechado defensivamente e sem prejudicar o a defesa, a melhor do campeonato.
