Transcarpátia, a atual campeã da Copa do Mundo de seleções não-oficiais

A seleção campeã da CONIFA em 2018 foi a última classificada para a competição substituindo a Alta Hungria (minoria húngara na Eslováquia) e assim surpreendeu a todos

 

Antes de começar a contar a história da última Copa ressaltamos que a disputa nesse ano seria na Macedônia do Norte (país filiado a FIFA, mas que aceitou ser a sede), mas foi cancelado por conta a pandemia e até o momento não tem uma data específica para disputa. Atualmente a CONIFA (Confederação de Futebol de Associações Independentes) conta com 60 membros e atualmente cuida da Eurocopa, Challenge Cup, além disso das qualificações para o campeonato mundial, outras competições estão marcadas para iniciar em 2021.

Em 2018, os participantes foram: Tamil Eelam (pessoas da tribo tamil do Sri Lanka radicados em alguns países), Abecásia (república autônoma na Geórgia, campeão do mundo em 2016), Armênia Ocidental (armênios na Turquia), Barawa (nascido na Somália que moram na Inglaterra), Tibet, Cascádia (região entre os Estados Unidos e Canadá), Padânia (atletas que representam oito regiões do norte da Itália), Chipre do Norte (região reconhecida como país pela Turquia).

Fechando a lista ainda contam Panjabi (paquistaneses, afegãos e indianos na Inglaterra), Coreanos no Japão, Matabelelândia (região no oeste do Zimbábue e que conta com um mascote chamado Ingqungqulu), Cabília (região no norte da Argélia), Ellan Vannin (representa a Ilha de Man), País Siculo (minoria húngara na Romênia), Tuvalu e a campeã Transcarpátia que é busca reivindicar os direitos da minoria húngara na Ucrânia, sendo perseguido por esses ideais.

Antes de iniciar a competição, a seleção nem era uma das favoritas, pois tinha conquistado o quinto lugar na Eurocopa, através de um play-off contra a Ilha de Man. Ao não se classificar diretamente contou a sorte de uma desistência e aquele que a priori somente ia disputar a sua estreia em competições mundiais se tornou o campeão. A disputa iniciou em Barawa (Inglaterra) para o Transcarpátia com o empate entre Chipre do Norte por 1 a 1, o tento do norte-cipriotas foi de Billy Mehmet (atacante profissional, ex-Perth Glory).

 
Divulgação: CONIFA.
 

Na segunda rodada, a Abecásia pela frente, mas o time não tomou conhecimento do então campeão do mundo e venceu por 2 a 0, sendo o gol da vitória de István Sándor (jogador profissional e treinador também do selecionado). No duelo final da primeira fase, enfrentaram o Tibet e venceram por 5 a 1, com direito a dois gols do jovem Ronald Takács (atualmente sem clube). Na segunda fase, a equipe eliminou a Cascádia (primeira seleção da América do Norte na CONIFA) pelo placar de 3 a 1 com ajuda de Gergő Gyürki.

Na semifinal, György Toma marcou duas vezes e deixou a Transcarpátia entre os dois melhores ao superar o País Siculo por 4 a 2. Na final em 9 de junho, novamente o Chipre do Norte e no tempo normal 0 a 0, nas penalidades 4 a 3 com definição para o meia Alex Svedjuk. Título importante para os húngaros na Ucrânia, principalmente ao se considerar que atualmente temos 32 locais na Europa, 12 na Ásia, 8 na África, 4 na Oceania, 2 na América do Norte e na América do Sul filiados a ConIFA.

 

Foto de capa: Divulgação/ConIFA.